Relatórios emitidos pelo Google revelam que os brasileiros fazem 373 mil buscas mensais sobre saúde mental, sintomas e formas de resolvê-los. O dado nos revela o sofrimento pelos quais as pessoas vêm passando. As queixas relatadas em consultório refletem os números notificados sobre ansiedade, depressão, estresse e crise de pânico. Segundo relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa as primeiras posições em relação aos transtornos mentais.
Aliás, vale a reflexão sobre a definição do tema, segundo a OMS: “saúde mental não significa apenas ausência de doenças psiquiátricas. Trata-se de um estado de equilíbrio emocional, psicológico e social, que permite ao indivíduo lidar com os desafios da vida, trabalhar, desenvolver relações saudáveis e encontrar sentido em sua existência”. Ou seja, vai além de não apresentar queixas, e sim a total sensação de bem-estar.
O Brasil aparece entre os países com maiores índices de depressão, ansiedade e consumo de ansiolítico do mundo. Toda essa crise emocional dos brasileiros não possui uma única causa. Ela tem a ver com uma combinação de fatores sociais, econômicos, culturais e emocionais.
Minha avaliação sobre a questão abre duas frentes: uma tem a ver com o “macro mundo”, que compreende tudo em que estamos inseridos, desde ambiente profissional, família, sociedade, até coisas subjetivas como cultura, exibicionismo, curiosidades alheias sobre a nossa vida, fofoca, etc.
Esse macro mundo notoriamente não vai nada bem, porém não detemos controle sobre ele: a dinâmica social vai além da nossa vontade ou ação.
A outra frente sobre a qual reflito tem a ver com o “micro mundo”, que nada mais é que nossa própria vida, a forma de ver as coisas, a capacidade para administrar as emoções frente às inseguranças, afastamento de pensamentos, sentimentos e pessoas que não nos fazem bem e aumento da segurança emocional. Pessoas que se sentem mais seguras também são mais fortes emocionalmente, portanto capazes de conviver no macro mundo sem se contaminar por ele.
Cuidar, com inteligência, do “micro mundo”, além impactar diretamente na nossa saúde mental, é também um grande ato de responsabilidade para consigo mesmo. Vale a pena investir nisso!