Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Busca na internet revela retrato preocupante dos brasileiros

Publicado em 21/05/2026 às 06:00.

Relatórios emitidos pelo Google revelam que os brasileiros fazem 373 mil buscas mensais sobre  saúde mental, sintomas e formas de resolvê-los. O dado nos revela o sofrimento pelos  quais as pessoas vêm passando. As queixas relatadas em consultório refletem os números notificados sobre ansiedade, depressão, estresse e crise de pânico. Segundo relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa  as primeiras posições  em relação aos transtornos mentais. 

Aliás, vale a reflexão sobre a definição do tema, segundo a OMS: “saúde mental não significa apenas ausência de doenças psiquiátricas. Trata-se de um estado de equilíbrio emocional, psicológico e social, que permite ao indivíduo lidar com os desafios da vida, trabalhar, desenvolver relações saudáveis e encontrar sentido em sua existência”. Ou seja, vai além de não apresentar queixas, e sim a total sensação de bem-estar. 

O Brasil aparece entre os países com maiores índices de depressão, ansiedade e consumo de ansiolítico do mundo. Toda essa crise emocional dos brasileiros não possui uma única causa. Ela tem a ver com uma combinação de fatores sociais, econômicos, culturais e emocionais.

Recentemente uma paciente me relatou que ao mudar de país sentiu que seu quadro depressivo, a ansiedade e a compulsão por compras haviam desaparecido. Um ponto interessante na fala tem a ver com a leveza que sentia em estar em um lugar onde não era observada e nem avaliada socialmente e, por isso, não se sentia obrigada a estar sempre arrumada, bem vestida, tendo que dar uma satisfação à sociedade sobre qual função profissional exercia e nem se estava casada ou solteira. Essa invisibilidade social trouxe a ela um estado de paz, tranquilizando sua tensão diária que alimentava a ansiedade e mantinha o quadro depressivo. Um simples exemplo que significou a cura. Mas a pergunta que fica é: temos que mudar de país para nossa saúde mental melhorar?

Minha avaliação sobre a questão abre duas frentes: uma tem a ver com o “macro mundo”, que compreende tudo em que estamos inseridos, desde ambiente profissional, família, sociedade, até coisas subjetivas como cultura, exibicionismo, curiosidades alheias sobre a nossa vida, fofoca, etc. 

Esse macro mundo notoriamente não vai nada bem, porém não detemos controle sobre ele: a dinâmica social vai além da nossa vontade ou ação. 

A outra frente sobre a qual reflito tem a ver com o “micro mundo”, que nada mais é que nossa própria vida, a forma de ver as coisas, a capacidade para administrar as emoções frente às inseguranças, afastamento de pensamentos, sentimentos e pessoas que não nos fazem  bem e aumento da segurança emocional. Pessoas que se sentem mais seguras também são mais fortes emocionalmente, portanto capazes de conviver no macro mundo sem se contaminar por ele. 

Cuidar, com inteligência, do “micro mundo”, além impactar diretamente na nossa saúde mental, é também um grande ato de responsabilidade para consigo mesmo. Vale a pena investir nisso!

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