É muito comum ouvir a seguinte fala: “me considero uma pessoa inteligente, racional, sei exatamente o que estou fazendo de errado, mas eu continuo fazendo. Por que não mudo já que eu sei o que é melhor para mim?”.
É curioso perceber que muitas pessoas se cobram mudança imediata frente a algum entendimento. Mas na verdade, não é assim que funciona. Saber não é suficiente para mudar um padrão repetido tantas vezes.
Isso ocorre porque “saber e sentir” são processados em partes diferentes do cérebro. A razão mora no córtex pré-frontal, que é a parte mais evoluída, responsável pelo planejamento, pelo julgamento e pelo autocontrole.
A irritabilidade funciona assim. A pessoa não decide ficar irritada; ela fica. O gatilho pode ser pequeno, às vezes até desproporcional, mas mesmo assim a reação aparece, pois não é só aquele momento que está sendo processado, é o acúmulo, o cansaço, a frustração reprimida. Quem explode com o filho por causa de uma bobagem, por exemplo, não está com raiva do filho e sim de um acúmulo emocional e sobrecarga.
A reatividade segue a mesma lógica. O reativo não pensa antes de agir, ele age e pensa depois. É a resposta que sai antes do filtro, a decisão tomada no calor do momento que precisaria ser pensada com calma. O imediatismo funciona da mesma maneira, a dificuldade de tolerar qualquer espera, qualquer processo lento, qualquer resultado que não venha na hora que queremos. Num mundo que entrega tudo em minutos, a tolerância à frustração está cada vez mais rara e, com ela, a incapacidade de adiar a gratificação.
Dominar as emoções não significa suprimi-las ou não senti-las. Significa desenvolver, através de um olhar honesto sobre si mesmo, a capacidade de criar estratégias de autocontrole. Isso não se aprende lendo sobre inteligência emocional. Aprende-se na prática, no enfrentamento, no autoconhecimento e, muitas vezes, com apoio terapêutico. O problema não é saber o que fazer e sim conseguir fazer quando a emoção está falando mais alto do que a razão. Afinal, maturidade emocional não é a ausência de emoções difíceis, e sim a capacidade de não ser dominado por elas.