Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Epidemia da distração

Publicado em 22/01/2026 às 07:00.

Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão dispersos como na atualidade. Podemos afirmar seguramente que vivemos a epidemia da distração, onde esquecemos objetos, não guardamos números de telefones na memória e mal conseguimos ler um livro e ver um filme de forma concentrada. 

Certamente esse é um fenômeno que vem piorando ao longo do tempo, isso porque o cérebro humano, programado para fazer uma tarefa por vez, lida agora com múltiplos estímulos. 

Não há como negar que, há alguns anos, a vida fluía de forma mais lenta, com pausas, menos opções, atividades e poucos estímulos. Com a chegada da tecnologia, vieram também os excessos, mensagens curtas, imagens substituindo a leitura, vídeos rápidos e míltiplos conteúdos. O que antes andava devagar, agora acelerou num fluxo de intermináveis demandas. 

O novo modelo de mundo está estruturado para capturar nossa atenção. Em função disso, nosso cérebro trabalha diferente – vive como se fosse no formato “economia de energia” ou seja, presta pouca atenção no “agora” entendendo que precisa ficar atento para o próximo estímulo. Resultado: nos tornamos rasos e desatentos. 

As queixas mais comuns são: enfraquecimento da memória, esquecimento de coisas simples, nomes, lugares e datas.

Insatisfação com o tempo gasto ao telefone: as redes sociais estão formatadas para nos manter distraídos e com vontade de rolar a tela para consumir mais. Um vício poderoso atrás do algoritmo, cores e som. 

Em função do prazer imediato nasce a procrastinação, em que o indivíduo troca de atividade necessária por atividade prazerosa

Dificuldade em prestar atenção em aula, filmes ou até em uma história contata pelo amigo ficando mais comum a prática do presenteísmo: corpo presente e mente divagando.

Distração decorrente do manuseio do telefone, seja andando a pé ou dirigindo: há uma grande dificuldade em se manter distante do celular, com isso a dispersão faz o sujeito perder o caminho, esquecer onde estava indo e num pior cenário se acidentar. 

Todas essas situações levam uma pessoa acreditar que possui “déficit de atenção”. Sim, há uma considerável atenção deficitária, entretanto, isso não significa que há um diagnóstico. 

Usando a máxima de Freud que diz: “Antes de se diagnosticar com depressão, certifique-se que você não está cercado de idiotas”, o mesmo é válido para essa situação. 

Antes de se autodiagnosticar ou mesmo se medicar contra o déficit de atenção, vale a pena tentar usar a mente, seja parando para ouvir e prestando atenção, reduzindo estímulos desnecessários, tirando o fone de ouvido e valorizando a presença de quem está perto. 

Vale a pena o esforço, afinal, ter uma mente atenta é como ter um bem valioso!

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