Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Maternidade, desafios e missão

Publicado em 07/05/2026 às 06:00.

Será que sou uma boa mãe? Ouço essa questão com frequência no consultório. Há muitas dúvidas, culpa, sensações contraditórias que rondam a maternidade. 

Os desafios são muitos e se iniciam imediatamente após o nascimento do filho, com a oscilação hormonal que pode culminar numa depressão pós parto. Algumas mulheres sentem uma tristeza profunda que se mescla com um arrependimento de ter tido o bebê, dificuldade de criar vínculo, alta irritabilidade, ansiedade além da sensação de desamparo e morte. 

Há também uma transformação na identidade que ocorre internamente, em que  a mulher deixa de ser quem era antes para assumir um novo papel. Esse processo gera conflitos: “Quem sou eu agora”? “Será que nunca terei minha vida de volta”? Muitas dúvidas nunca antes sentidas. 

Passado esse turbilhão inicial vem a sobrecarga física que a maternidade exige, privação do sono, atenção constante – às vezes invisível e intensamente exaustiva. Esse acúmulo leva a um cansaço extremo que intensifica o estado de ansiedade e gera sensação de esgotamento. 

Outra dificuldade vem de “fora pra dentro”, em função das opiniões diversas sobre amamentação, educação, disciplina, dicas na internet, cursos on line, rotinas de sono que nem sempre funcionam, entre outras inúmeras interferências externas – a maioria não solicitada. Existe uma expectativa implícita de perfeição, como se houvesse uma forma “certa” de conduzir a criança. É tanta informação que elas mais geram dúvidas do que segurança. 

Nessa caminhada, muitas mães convivem com um sentimento ininterrupto de culpa. Tudo dispara esse gatilho: não conseguir amamentar, não estar presente todo o tempo, trabalhar fora, viajar sozinha com o marido, uma cobrança interna interminável, o que é um grande desafio. 

A vida profissional também é outro dilema: trabalhar fora ou se dedicar ao filho? Encarar a jornada dupla? Abrir mão da vida profissional? Dar um tempo? Muitos medos vêm a tona. A dinâmica do casal muda profundamente: a falta de tempo e as novas responsabilidades podem gerar conflitos e afastamento do casal. Quando a maternidade é solo, os desafios se ampliam ainda mais e exigem o dobro da dedicação. Mas tanto sozinha quanto com rede de apoio as mães relatam o sentimento de solidão, pois dificilmente alguém consegue compreender exatamente o que elas estão vivendo. 

A beleza de ser está na jornada de amor incondicional, entrega, renúncia, aprendizado constante e na linda missão de criar, educar e proteger a vida de um filho. Parafraseando Clarice Lispector: “À medida que os filhos crescem, a mãe deve diminuir de tamanho. Mas a tendência da gente é continuar a ser enorme”. E são! 

Feliz dia das maravilhosas mães! 

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