Será que sou uma boa mãe? Ouço essa questão com frequência no consultório. Há muitas dúvidas, culpa, sensações contraditórias que rondam a maternidade.
Os desafios são muitos e se iniciam imediatamente após o nascimento do filho, com a oscilação hormonal que pode culminar numa depressão pós parto. Algumas mulheres sentem uma tristeza profunda que se mescla com um arrependimento de ter tido o bebê, dificuldade de criar vínculo, alta irritabilidade, ansiedade além da sensação de desamparo e morte.
Há também uma transformação na identidade que ocorre internamente, em que a mulher deixa de ser quem era antes para assumir um novo papel. Esse processo gera conflitos: “Quem sou eu agora”? “Será que nunca terei minha vida de volta”? Muitas dúvidas nunca antes sentidas.
Passado esse turbilhão inicial vem a sobrecarga física que a maternidade exige, privação do sono, atenção constante – às vezes invisível e intensamente exaustiva. Esse acúmulo leva a um cansaço extremo que intensifica o estado de ansiedade e gera sensação de esgotamento.
Nessa caminhada, muitas mães convivem com um sentimento ininterrupto de culpa. Tudo dispara esse gatilho: não conseguir amamentar, não estar presente todo o tempo, trabalhar fora, viajar sozinha com o marido, uma cobrança interna interminável, o que é um grande desafio.
A vida profissional também é outro dilema: trabalhar fora ou se dedicar ao filho? Encarar a jornada dupla? Abrir mão da vida profissional? Dar um tempo? Muitos medos vêm a tona. A dinâmica do casal muda profundamente: a falta de tempo e as novas responsabilidades podem gerar conflitos e afastamento do casal. Quando a maternidade é solo, os desafios se ampliam ainda mais e exigem o dobro da dedicação. Mas tanto sozinha quanto com rede de apoio as mães relatam o sentimento de solidão, pois dificilmente alguém consegue compreender exatamente o que elas estão vivendo.
A beleza de ser está na jornada de amor incondicional, entrega, renúncia, aprendizado constante e na linda missão de criar, educar e proteger a vida de um filho. Parafraseando Clarice Lispector: “À medida que os filhos crescem, a mãe deve diminuir de tamanho. Mas a tendência da gente é continuar a ser enorme”. E são!
Feliz dia das maravilhosas mães!