Cada um vê a vida pelas suas próprias lentes. Estas são construídas por meio de vários fatores como experiências, aprendizados, suposições e principalmente a ideia que faz sobre si mesmo. A partir desse combo, montamos nossa perspectiva e ela irá afetar a forma que pensamos e sentimos.
Um exemplo intrigante é o efeito placebo, onde o cérebro libera substâncias químicas (como endorfinas) que ativam áreas cerebrais relacionadas à dor e ao bem-estar, induzindo respostas fisiológicas positivas reais, não apenas psicológicas. O efeito placebo é um fenômeno cientifico mensurável e fisiológico onde o paciente relata melhora após tomar pílulas de farinha sem nenhum princípio ativo.
Na mesma linha, onde nossa expectativa afeta diretamente nossa realidade, temos o contrário atuando com igual intensidade - o efeito nocebo. Este ocorre quando expectativas negativas ou ideias pessimistas sobre um tratamento causam o surgimento de efeitos colaterais reais, com a mente gerando sintomas físicos de dor e mal-estar.
Certa vez, ao ouvir uma pessoa extremamente negativa narrar sua dificuldade em dormir percebi que a forma com que explicava o que sentia era como se tal fato não tivesse a mínima possibilidade de ser resolvido e nem mesmo a medicação mais potente seria capaz de melhorar o cenário. Quando perguntei se topava experimentar um novo tratamento, sem titubear respondeu que não acreditava que nenhum tratamento iria tirá-la daquela condição, mas que estava disposta a tentar.
Talvez ela não percebesse, mas seu pessimismo claramente jogava contra qualquer possibilidade de resolver o problema.
O rio corre para o mar - cada vez que pensamos negativo, contribuímos para o fracasso da situação e assim reforçamos nossas certezas pessimistas, como se perder fosse ganhar.
Mas por que agimos assim?
Penso que há dois pilares fortes que sustentam a negatividade. O primeiro tem a ver com um mecanismo de defesa, que entende que ao fazer a manobra contrária está se protegendo de uma possível dor ou decepção. A questão é que ao fazer isso o indivíduo não se blinda contra nada, apenas se conecta com o oposto do que gostaria. Inclusive cabe a pergunta: será que gostaria mesmo?
A segunda análise está diretamente ligada ao ganho secundário. Aquele que mais se mostra fragilizado (sofrido pelo próprio pensamento negativo) recebe mais acolhimento e atenção - segue a mesma linha de quem mais chora, mais mama. E assim se cria um padrão que entende que é vantajoso agir assim. Uma lástima! Ao trabalharmos com a negatividade deixamos de lado o poder extra que a mente tem sobre a nossa vida.