Muitos são os desafios que enfrentamos para nos relacionarmos, seja em família, no casamento ou no ambiente de trabalho. Lidar com pessoas não é tarefa simples, porque todos nós carregamos particularidades que podem conflitar e se isso não for bem conduzido acabamos vivendo dentro da relação mais um ambiente de disputa do que de parceria.
Ao nos depararmos com as dificuldades, é comum querer se isolar ou reduzir a convivência a poucas pessoas, e aí surge o paradoxo do relacionamento: solidão x impaciência. Por um lado, nos sentimos sozinhos e queremos a companhia de alguém. Por outro, estamos sem paciência para ceder e negociar. Como resolver essa equação?
Contrariando o ditado que diz que os opostos se atraem, eu aposto na relação entre semelhantes. A paixão pode até unir fortemente duas pessoas, mas o que as mantém são as afinidades – desde as mais simples, como os mesmos gostos e interesses, como as mais profundas, como afinidade de caráter, projeto de vida, ideologias e propósitos. Mas tudo isso ainda não basta, é preciso um elemento fundamental: a forma de se relacionar. Aqui destaco três delas:
A primeira delas é o relacionamento na “abundância” - aqui estão as relações recíprocas, onde as pessoas sentem que dão e recebem de forma justa. É quando há um equilíbrio que flui e o afeto se retroalimenta, tornando a relação ainda mais rica. Os vínculos firmados por meio da abundância são baseados em ajuda mútua, empatia, segurança e generosidade, não havendo espaço para medo, egoísmo ou insegurança. É quando se tem a sensação de que o outro significa um abrigo sereno e confiável. Esse é o quadrante das relações saudáveis, onde as partes envolvidas estão satisfeitas, se sentindo abastecidas de afeto.
A segunda forma é a “escassez” - é quando há um desequilíbrio - um recebe mais que dá e ainda reclama, enquanto o outro dá mais que recebe e se sente esgotado. Aqui a falta prepondera: falta boa vontade, disponibilidade, carinho, escuta e tudo fica a desejar, a troca se dá de forma mínima. A escassez emocional, além de drenar a autoestima, ainda faz com que a pessoa nivele a relação por baixo, se adaptando ao mínimo, reduzindo as expectativas e aceitando migalhas. É comum aquele que recebe menos tentar recompensar o outro dobrando a generosidade. E quanto mais ele proporciona, menos o outro se movimenta. Aquele que tenta recompensar acaba entrando num relacionamento abusivo consigo mesmo, tirando de si para dar para o outro e acaba num esgotamento emocional. A admiração vai minguando e com ela o amor.
A terceira, e pior de todas, é a “mendicância” - é quando você precisa pedir ou implorar por uma “esmola afetiva”, esperando a boa vontade do outro para ser visto, considerado, ouvido. É quando é preciso ensinar como a pessoa deve se comportar para demonstrar amor e explicar, mais de uma vez, que o comportamento dela te fere e ainda ter que pisar em ovos para não desagradar. O mendigo emocional entra numa situação indigna e acaba buscando formas de sair dessa relação.
Observar a forma como as pessoas se relacionam pode ser uma ótima maneira de se proteger de traumas e prejuízos emocionais.