Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Para fazer um ano realmente novo

Publicado em 01/01/2026 às 06:00.

Virada de ano é um marco simbólico que representa uma nova oportunidade de rever escolhas, ressignificar experiências, fazer metas (materiais e emocionais) e renovar os compromissos consigo mesmo. Do ponto de vista psicológico, esse período ativa o processo de reflexão, fazendo com que o indivíduo faça um balanço do que aconteceu e trace novos objetivos e conquistas. 

Entretanto, para que um ano seja verdadeiramente diferente, não basta apenas listar metas, é preciso olhar para dentro e fazer um mergulho honesto em si mesmo, reconhecendo os próprios limites, mapeando as imperfeições e desenvolvendo estratégias para mudar aquilo que não está agradando. 

Um ponto central nesse processo é a força psíquica. Ela não significa não sentir dor, medo ou insegurança, mas sim a capacidade de triunfar apesar disso. 

A força psíquica é que nos permite lidar com emoções difíceis sem paralisar, aceitar as dores que a vida forçosamente nos impõe, levantar depois do tombo, dominar vícios e também o medo que sentimos frente às incertezas da vida. 

Cada vez que dominamos aquilo que tenta nos dominar ficamos mais fortes e com autoestima mais alta. Cada vez que prometemos e cumprimos nossas promessas, contamos para nós que somos corajosos e isso faz o juízo de valor a nosso respeito subir. O contrário também é verdadeiro - cada vez que recuamos por medo ou insegurança, marcamos gol contra no nosso time. 

Portanto, para um ano ser realmente novo, a primeira coisa que precisamos ter é autoconhecimento. É através da análise do nosso comportamento que conseguiremos entender onde está a reincidência nos padrões autodestrutivos. Após conhecermos, com profundidade, nossa fragilidade, inicia-se o segundo processo, a execução. Muitos gostam de afirmar que sabem exatamente o que precisam fazer para melhorar, mas não fazem, ficam estagnados sem conseguir colocar em prática aquilo que realmente lhes faria bem. E aqui mora um grande perigo: nossa capacidade de adaptação às coisas ruins é muito grande. É sempre mais fácil permanecermos na zona de conforto (ainda que desconfortável) do que sair dela. 

Quebrar esse vício comportamental não é fácil, é um processo complexo e demorado que precisa de muito empenho e um verdadeiro querer. Muitos afirmam que querem mudar, mas seu comportamento não corresponde ao que é dito. Quando a prédica está em desalinho com a prática, devemos acreditar na prática, ela nos aponta aquilo que realmente queremos. 

Portanto, um bom exercício para começar o ano é fazer uma avaliação se aquilo que queremos anda junto com aquilo que fazemos, caso contrário é preciso aceitar a verdade de que nosso desejo não é suficiente para suportar privações e/ ou enfrentamentos desconfortáveis. Essa reflexão é muito importante para nos dar o termômetro da nossa evolução. 

Quando temos clareza interna aumentamos a nossa força para mudar. Dessa forma, conseguimos fazer um ano realmente novo e bom. 

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