Na menopausa, as atenções são mais voltadas para reposição hormonal, alimentação adequada, cuidados com a pele madura, importância do ganho de massa magra e os impactos da atuação hormonal, ficando a saúde mental em segundo plano.
Uma pesquisa internacional feita por uma indústria farmacêutica japonesa com o intuito de conhecer melhor os estigmas da menopausa ouviu 13.800 mulheres do mundo todo e concluiu que as brasileiras estão entre as que mais sofrem.
O estudo denominado “Menopausa, Experiência e Atitude” mediu o nível em cada item: ansiedade, depressão, constrangimento, vergonha, estigma no ambiente profissional.
No ranking, as brasileiras aparecem como as que mais sofrem com a menopausa, tanto em relação à saúde mental (ansiedade e depressão), quanto ao estigma no ambiente profissional.
A pergunta que fica é: por que o impacto em nós é o maior?
Alguns podem ser os fatores e um deles penso que se deve à nossa sociedade, que supervaloriza a juventude, cultua o corpo e a imagem, além de associar o envelhecimento a um declínio físico e mental, como se o jogo acabasse para quem passou dos 50 anos.
Além disso, as empresas declaram clara preferência por profissionais jovens, considerando os mais velhos menos produtivos ou desatualizados –o mercado de trabalho brasileiro, claramente, ainda não absorveu adequadamente o talento sênior.
Somado a isso, temos também a desigualdade social, onde os idosos pobres acabam enfrentando maiores dificuldades de acesso aos tratamentos necessários para esse período, que em tese atenuaria um pouco os impactos.
Todo esse cenário é ainda acrescido de um machismo estrutural, objetificação e visão estereotipada da mulher, que é frequentemente medida pela idade, beleza, ignorando competências profissionais, talentos e capacidade. Na menopausa a situação piora pois ela é, preconceituosamente, associada ao fim da produtividade.
Os sintomas decorrentes dessa fase já não são fáceis: privação de sono, oscilação de humor, ansiedade aumentada, névoa mental, fogachos, cansaço crônico, tudo isso acrescido ao massacre emocional derivado de todo o estigma de envelhecer que faz com que a mulher, além de todas as complicações, ainda enfrente, em silêncio, um profundo sofrimento fruto da sensação de exclusão e desvalorização social, inutilidade e até morte - como se a vida que realmente importasse tivesse acabado.
A forma como cada mulher lida com a menopausa impacta diretamente em sua autoestima e saúde metal. É preciso cultivar, de forma propositiva, alguns pontos importantes, como propósito de vida. Além disso, reinventar-se, criar novos grupos, descobrir prazeres, não parar de fazer planos, ressignificar a nova fase.
O mundo externo pode vir carregado de preconceito. Porém, o que vai realmente contar é nosso estilo de vida e sua atitude mental, que sempre estarão acima de qualquer preconceito.