Diferentemente de uma fratura ou de uma infecção, o sofrimento psíquico não aparece num exame de sangue nem de imagem, o que faz com que muitas pessoas ignorem problemas psiquiátricos como depressão, transtorno explosivo, controle de impulso. Todos são quadros que poderiam ser tratados caso fossem diagnosticados.
Além da falta de conhecimento, temos também o preconceito, que dificulta muito a solução do problema. Até pouco tempo atrás a maioria das pessoas acreditava que terapia era coisa para “gente doida”; psiquiatria, então, não podia nem falar sob pena de ser julgado a uma condição inferior. Embora esse pensamento tenha melhorado, ainda existe muito julgamento, principalmente de quem nunca se submeteu a um tratamento - mas precisaria.
Frente a esses obstáculos, precisamos ficar atentos a sinais que podem nos apontar que algo não vai bem:
- cansaço que não melhora com descanso;
- impaciência, por vezes com coisas pequenas;
- choro fácil, fora do padrão habitual da pessoa;
- perda de interesse em coisas que antes davam prazer;
- explosões frequentes;
- alta irritabilidade, às vezes de forma desproporcional ao ocorrido;
- dificuldade de concentração e memória fraca, mais que o normal;
- alterações no sono ou no apetite, para mais ou para menos;
- sensação de estar “no piloto automático”, sem se apropriar da própria vida;
- vontade de se isolar, mesmo de quem se gosta;
- vontade de não fazer nada.
É importante considerar que o corpo e a mente têm oscilações e isso não configura um problema. Tem dias que acordamos mais desanimados ou tristes sem que precise ter um motivo, assim como em outros dias nos sentimos melhores. O que diferencia um mal-estar passageiro de algo que merece atenção é, principalmente, a duração, a intensidade e o quanto aquilo interfere na vida de uma maneira geral, no trabalho, nas relações e principalmente na sensação de bem-estar.
Um bom medidor para sabermos se algo não vai bem é a comparação consigo mesmo.
Estou diferente de quem eu sempre fui?
O que antes me proporcionava prazer parou de ocorrer?
Deixei de achar graça nas coisas e passei a achar tudo meio chato e cansativo?
Estou no comando na minha vida ou só cumprindo tarefas?
Há quanto tempo eu não me sinto de fato feliz?
Quando conseguimos responder essas perguntas com honestidade, o que nem sempre é fácil, temos um bom parâmetro para perceber como anda nossa saúde mental.
É importante ressaltar que nem todo sofrimento psíquico significa diagnóstico, ao mesmo tempo que não precisamos deixar as coisas chegarem a situações insustentáveis para procurar ajuda.
Quem não se trata costuma pagar um preço alto, perdendo, além da serenidade, o casamento, amizades e principalmente a si mesmo.