Essa é uma pergunta frequente que ouço em meu consultório. O indivíduo se questiona se o que ele está sentindo é um mero desânimo, tristeza ou depressão.
Essa confusão ocorre, pois não há um exame com marcadores definidos para medir o estado de ânimo de uma pessoa. Essa avaliação é clinica, de acordo com a queixa de cada um, e é aí que mora o perigo, pois muitos vão adoecendo aos poucos, vão sentindo a vida mais dura, mas não se dão conta de que o que estão sentindo pode ser uma depressão.
O quadro depressivo é amplo, podendo ir desde uma distimia – uma depressão leve e crônica que não impede o indivíduo de continuar com sua rotina, ao mesmo tempo que torna tudo muito pesado e cansativo. A vida não tem muita cor e nada é prazeroso. Ao contrário, a tendência é achar tudo muito chato e sem sentido. Há uma nítida perda de prazer nas atividades cotidianas e aos poucos o indivíduo vai se isolando, se desinteressando por interações sociais e aumentando o sentimento de negatividade e pessimismo.
A situação se agrava de forma lenta, gradual e cumulativa. A energia é só para fazer o básico, não sobrando para manter uma rotina de vida saudável. Sem fonte de prazer saudável, o caminho mais curto é buscar o prazer imediato: comida, açúcar, álcool, drogas, jogo, compras, telefone, rede social, televisão, e coisas que não requerem muito esforço. A rotina, que já não está organizada, desorganiza mais ainda, gerando prostração, inércia e procrastinação, numa espiral descendente que deixa o indivíduo ainda mais deprimido. A distimia é difícil diagnosticar pois se confunde com preguiça e indisciplina, gerando uma sensação de que é só começar a fazer que sairá daquele caos. Mas nunca consegue.
Já os quadros mais severos são marcados por comportamentos muito fáceis de perceber que algo não vai bem como dificuldade de sair da cama, cumprir compromissos, abrir a janela, tomar banho, conversar.
O quadro é amplo pode começar leve ou de forma mais intensa; o importante é estar atento aos sinais e sempre fazer um comparativo de como você era um tempo antes.
Os critérios de diagnósticos englobam:
- humor deprimido, angústia, sensação de vazio, sensação de inutilidade;
- Perda de sentido na vida;
- Choro fácil;
- Anedonia: perda de prazer em atividades rotineiras;
- Instabilidade no sono: insônia ou hipersonia;
- Alteração no apetite: inapetência (perda de apetite), compulsão alimentar;
- Perda de memória e dificuldade na concentração;
- Falta de vigor, cansado crônico;
- Isolamento social e irritabilidade;
- Desânimo e tristeza;
- Sensação de inadequação, sentimento de culpa constante
desesperança.
É importante ressaltar que um tratamento eficiente contra depressão engloba acompanhamento profissional, medicação, hábitos saudáveis vinculados à disciplina, rotina de atividade física, boa alimentação, e a tomada de consciência em fazer escolhas autoconstrutivas. É possível se livrar definitivamente da doença e retomar a qualidade de vida, mas para isso é preciso aumentar o amor próprio para se sentir merecedor de uma vida melhor e agir alinhado a esse desejo.