Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Setembro Amarelo: os sinais que a escuta clínica nos ajuda a reconhecer

Publicado em 03/09/2026 às 06:00.

O mês inicia com a campanha “Setembro Amarelo”, que busca conscientizar a população sobre a importância de prevenir o suicídio, falar abertamente sobre saúde mental e quebrar tabus. 

Infelizmente, não há um sinal universal ou um sintoma claro que prevê exatamente a intenção de uma pessoa na tentativa de autoextermínio. Cada um atravessa um sofrimento psíquico de um jeito diferente, uns falam abertamente sobre a sua dor, enquanto outros são mais fechados e até fingem estar bem. Enquanto uns anunciam, outros agem silenciosamente. 

Mesmo sendo tão difícil acessar a parte mais sombria da mente humana, alguns comportamentos podem ser sinalizadores de um potencial suicida, tais como:

- Ameaças de tirar a própria vida ou tentativas anteriores; 
- Frases que expressam desesperança ou sensação de ser um peso para os outros (“seria melhor se eu não existisse”, “vocês ficariam bem melhores sem mim”);
- Mudanças bruscas de humor ou de comportamento, especialmente uma calma repentina após um período de grande angústia;
- Isolamento de familiares, amigos e atividades antes prazerosas;
- Despedidas veladas: doar objetos de valor afetivo, “resolver” pendências, procurar se reconciliar com pessoas de quem se afastou;
- Alterações no sono e no apetite que se intensificam sem explicação aparente;
- Aumento do uso de álcool ou outras substâncias como forma de anestesiar o sofrimento;
- Verbalizações diretas ou indiretas sobre morte, sobre “descansar” ou “sumir”;

É importante ressaltar que nenhum desses sinais, isoladamente, é uma sentença. Mas quando aparecem combinados ou se intensificam, merecem ser levados a sério e nunca minimizados com frases como “isso é fase” ou “é só drama”. 

O cuidado possível diante desses sinais não é tentar convencer a pessoa de que “vale a pena viver” e sim ampará-la sem julgamento, acolher e incentivá-la de forma acolhedora a procurar ajuda profissional. 

Mas, para isso, é preciso abrir espaço para uma conversa aberta, podendo inclusive perguntar de forma direta sobre ideação suicida. É um equívoco acreditar que falar sobre isso pode induzir o ato. Na verdade é o oposto: para quem carrega esse pensamento em segredo, ser perguntado com seriedade costuma representar até um alívio, uma oportunidade de verbalizar algo tão secretamente guardado. Perguntar não introduz a ideia, geralmente ela já está lá, aguardando espaço para ser dita sem julgamento ou executada. 

Porém, se quem atravessa esse sofrimento agora é você, saiba que há sempre uma saída possível para o que parece impossível ou insuportável. Muitas pessoas que chegaram perto de tirar a própria vida e não o fizeram hoje agradecem por terem resistido, pois conseguem enxergar que aquela dor era maior dentro da própria mente do que na realidade. Não deixe a dor vencer esse jogo chamado vida. Lute por você! 

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