Há pessoas que adoram se relacionar socialmente, sentem alegria e prazer em estar entre outras; enquanto há aquelas que narram extrema dificuldade nessa situação, tanto pelo desconforto quanto pela exaustão que a interação social traz.
É preciso entender melhor o que essas sensações significam.
A fobia social é um transtorno de ansiedade caracterizado pelo medo intenso e persistente de estar entre outras pessoas. Há uma sensação constante de inadequação, assim como medo de ser julgado ou avaliado negativamente em situações sociais.
Antes de um compromisso, o pensamento já antecipa o pior: “não vão gostar de mim”, “vão me achar estranho”, “vou travar e não vou saber o que falar”. Durante o evento, o corpo reage com sintomas físicos como coração acelerado, suor, rubor, voz trêmula. E depois vem o ciclo interminável de ruminação sobre o que foi dito ou feito, com questionamentos que persistem por horas ou dias. É um sofrimento real, que muitas vezes paralisa ou isola quem o sente.
Já a fadiga social é diferente. Não se trata de medo, mas de esgotamento. A pessoa consegue transitar socialmente, vai aos eventos, conversa, cumpre os compromissos, mas volta para casa completamente drenada e precisa de silêncio, de solidão e de tempo para se recarregar.
Esse perfil é muito comum em pessoas que gastam muita energia nas interações sociais: aquelas que são muito “boazinhas” e não conseguem encerrar uma conversa cansativa, que permanecem horas ouvindo alguém falar ou aquelas que gostam de agradar e acabam se doando demais, carregando o compromisso de dar atenção a todos. O evento que era para ser um prazer acaba virando um trabalho exaustivo.
Alguns sinais que ajudam a identificar cada um:
- na fobia social, há ansiedade antecipatória intensa, o sofrimento começa antes mesmo do evento acontecer e tende a gerar evitação crescente e isolamento.
- na fadiga social, o cansaço vem depois. Durante o convívio a pessoa funciona, mas precisa de uma recuperação significativa. A necessidade de recarregar é legítima e funciona como uma forma de autorregulação.
O transtorno da fobia social requer acompanhamento profissional e, às vezes, até indicação medicamentosa. Para os casos de fadiga social, o caminho passa pelo autoconhecimento: entender os próprios limites e respeitá-los; aprender a dizer “não” e conseguir se afastar sem sentir culpa.
Em ambos, o isolamento como resposta automática não resolve. O que resolve é entender o que está por trás desse desconforto e atuar na solução disso.