Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Somatização

Publicado em 30/04/2026 às 06:00.

Embora muitos não acreditem e outros ignorem, a somatização existe. Somatizar significa a manifestação física de conflitos emocionais acumulados em nosso corpo que se transforma em doença. Trata-se da materialização física de conteúdos emocionais que, muitas vezes, não encontram espaço para serem elaborados na consciência. O corpo, então, assume esse papel. 

Um bom exemplo são as doenças autoimunes. Uma vez diagnosticadas, devem ser tratadas com as indicações medicamentosas. No entanto, é sabido que fatores emocionais e psicológicos atuam como gatilhos ou moduladores do início e da progressão da doença.

Não se trata de reduzir a complexidade biológica a uma causa única, mas precisamos compreender que o processo de somatização nos diz que o nosso corpo não opera dissociado da nossa mente.

Precisamos aprender a lidar, com sabedoria, com as nossas emoções, dando a mesma importância à mente que damos ao corpo. 

Aos que querem atenuar o impacto negativo das emoções sobre o nosso corpo é preciso estar atento àquilo que nos intoxica:

- Indignação: nos sentimos indignados frente a alguma injustiça dirigida a nós. Às vezes brigamos, outras engolimos a seco a situação, porém internamente aquele sentimento nos corrói. Podemos e devemos lutar pelos nossos direitos, mas, quanto mais serenos estivermos, menos jogamos para nosso organismo substâncias tóxicas. 

- Ruminação mental: o fluxo mental que ocupa nossos pensamentos tem o poder de nos torturar, envergonhar e produzir o pior sobre nós mesmos, sempre nos punindo e nos maltratando. Há uma voz interna que pensa o tempo todo e na maior parte do tempo nos julga da pior maneira possível. Nada de bom deriva dessa neurose. 

- Raiva: a raiva que eu sinto do outro, numa análise mais profunda, quase sempre, é a raiva que sinto de mim. Ao projetar no outro uma raiva que é nossa, impedimos também a evolução rumo à maturidade emocional e ficamos presos ao ciclo infantilizado desse sentimento. 

- Preocupação: há uma ideia equivocada de que a preocupação é sinônimo de responsabilidade. Isso não é verdade! Ao contrário, é um pensamento autodestrutivo, de medo e negatividade que corrói e tira a paz. Em termos práticos, não resolve nada, só piora. 

- Ansiedade: a ansiedade é filha do controle. O ansioso quer controlar tudo e todos, nunca relaxa e está sempre tenso, como se estivesse com um radar 24 horas ligado. Vive em constante estado de alerta e trazendo para si o comando de várias funções. Além de ansioso, está sempre esgotado - a vigília é exaustiva.

Geralmente o controlador é um perfeccionista muito duro e rigoroso consigo mesmo. 

O corpo funciona assim: quando estamos tensos, entramos em estado de alerta e jogamos toxinas no nosso corpo, que por sua vez abaixa o sistema imunológico e nos deixa vulneráveis a doenças como gastrite, gripes, infecções e outras complicações.

Muitos falam que querem melhorar a qualidade de vida emocional, mas poucos estão dispostos a sair da “zona de conforto” de se sentir preocupado, estressado e nervoso, dando a entender que não há outra forma de viver, senão assim. Vale a pena refletir se você também não pensa dessa maneira! 

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