“Tenho tudo que sempre sonhei e até mais, um carro do ano, uma casa linda, um casamento ótimo, filhos saudáveis, uma carreira profissional sólida, não entendo por que eu não me sinto feliz”. Essa é uma frase que ouço com frequência, dita com um misto de culpa, frustração e auto cobrança por não estar se sentindo radiante frente a tantas conquistas.
É fato que aquilo que conquistamos ao longo da vida nos proporciona grande satisfação e pode contribuir significativamente para nossa felicidade, mas não a garante. Por vezes, está mais a serviço da nossa vaidade do que necessariamente do nosso “eu interior”. Nossas conquistas projetam a nossa imagem “para fora”, enquanto a nossa felicidade é “para dentro” e tem a ver com um estado interno, construído por meio de autoconhecimento, sentido de propósito, qualidade dos vínculos, paz de espírito, sensação de bem-estar e serenidade.
Há pessoas que mesmo com pouquíssimo patrimônio material desfrutam de uma vida interna rica e cheia de sentido. Enquanto outras, tendo tudo o que a sociedade valoriza, vivem com um vazio enorme.
É preciso pensar a felicidade sob algumas condições fundamentais. A primeira tem a ver com a forma como se vê a vida. Pessoas mais resignadas tendem a ser mais felizes. Resignar não significa parar de lutar; ao contrário, significa batalhar pelo que é possível e aceitar frustrações inerentes à vida. Pessoas mais inconformadas costumam desenvolver revoltas, que culminam numa espécie de ressentimento para com a vida.
Outra fonte de felicidade é dispor de boas condições físicas, mentais, materiais e saber desfrutar disso. Muitos, principalmente aqueles sem competência para o desfrute, não conseguem permanecer tranquilos. A paz tão buscada é logo substituída por um problema novo. Saber equilibrar trabalho e desfrute é uma grande sabedoria.
A filosofia de Shopenhauer nos lembra que a felicidade vem da nossa essência interior e da forma como encaramos o mundo, superando o valor do dinheiro e dos bens materiais. Disse ele: “a nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças do que nos nossos bolsos”.