Tem crescido o número de aplicativos que oferecem terapia por meio da inteligência artificial. As propagandas são atraentes: custo baixo, disponibilidade 24 horas e de forma ilimitada.
Uma pesquisa americana revelou que as pessoas que usam IA para fazer terapia afirmam ter algum problema de saúde mental e metade usa robôs como apoio emocional, para desabafar, compartilhar sentimentos e pedir conselhos. A maioria, 72% dos jovens americanos, entre 13 e 17 anos, confessou que já conversou com um chatbot para interação emocional ou simulação de amizade. Mais da metade dos entrevistados (52%) afirmou usar essas companhias de forma regular. Entre os usuários frequentes, 13% conversam com IA todos os dias, enquanto 21% trocam mensagens algumas vezes por semana. Um dado que chama atenção é que um terço dos adolescentes considera as conversas com IA mais satisfatórias do que com amigos reais.
O alto índice de satisfação com o Chatgpt ocorre pelo fato do mesmo ser programado para acolher e concordar, uma dinâmica bem diferente do processo terapêutico.
A terapia nos faz enxergar por um espelho que não reflete a beleza, mas sim aquela parte que escondemos até de nós mesmos. Nossa parte feia, aquela que geralmente julgamos e condenamos nos outros de forma dura, mas cometemos igualmente sob uma forma escamoteada e justificada. Somente quando nos confrontamos frente a um espelho atingimos uma camada mais profunda, que nos permite nos salvarmos de nós mesmos e assim nos tornarmos pessoas melhores ou ao menos mais leves.
Para que tudo isso ocorra um elemento é determinante: o vínculo de confiança construído com o profissional. Quando isso acontece de forma plena, o paciente se desnuda ao processo e consegue reescrever a própria historia de forma saudável, satisfatória, real e adequada às dimensões ocorridas.
São várias as abordagens terapêuticas disponíveis, o importante é o paciente se identificar com uma e confiar no profissional. Quando isso ocorre, a subjetividade do processo se transforma em soluções práticas. Não é algo metódico como uma receita de remédio na qual se toma todos os dias no mesmo horário e espera o resultado; é abstrato e não linear, quando se percebe já se adquiriu força e coragem para decisões importantes.
Outro momento de avanço se dá por meio dos insights - que significam um entendimento repentino, uma iluminação. Um bom exemplo é uma pessoa que aprendeu a andar numa estrada escura, sem enxergar nenhuma sinalização, tropeçando em pedras e caindo em buracos e num determinado momento as luzes foram acessas e então ela consegue ver os obstáculos, precipícios, desviar em rotas alternativas e pegar o retorno. A estrada é a mesma, mas o motorista é preparado. Portanto, a direção é mais segura.
O terapeuta é, para o paciente, uma pessoa diferente: não é amigo, mas muitas vezes funciona como; não é parente, mas tem informações desde sua infância; não participa da intimidade, mas ouve confidências íntimas que nunca foram compartilhadas. É tanta conexão e troca que fica difícil encontrá-la num robô.