Simone DemolinariPsicanalista com Mestrado e dissertação em Anomalias Comportamentais, apresentadora na 102,9 e 98 FM

Você não é tão importante assim

Publicado em 18/12/2025 às 06:00.

Como é seu senso de grandiosidade? Perguntar a alguém se ela se acha muito importante pode gerar estranheza, mas essa é uma questão que vale a análise. 

O nosso senso de valor interno se divide em dois: baixa autoestima e alta autoestima. 

A primeira, a baixa autoestima, se apresenta de duas formas opostas: uma, através da subserviência, e a outra através da prepotência. Ambas derivadas do mesmo lugar: complexo de inferioridade. 

Embora seja difícil imaginar que aquele indivíduo que (aparentemente) se sente acima de tudo e de todos, no fundo, sofre de menos valia. Mas isso é verdade! 

Tudo ocorre sustentado por um sofisticado mecanismo de compensação interna que tenta reparar velhos esquemas de inferioridade, a maioria deles instalados na infância. Esse “buraco”, ao invés de ser elaborado e tratado numa terapia, se esconde atrás do sentimento de grandiosidade, tirania, controle, rigidez, soberba, que à primeira vista parece ser demonstração de força, mas não passa de um rico disfarce para encobrir uma profunda fraqueza. Sem sombras de dúvida podemos vincular arrogância à baixa autoestima. 

A outra faceta do sentimento de inferioridade ocorre na submissão, subserviência, vergonha, timidez, sensação de inadequação. O indivíduo que se sente inferior carrega consigo uma sensação de que não é bom suficiente e por isso se comporta como se fosse um peso. Por acreditar que está causando incômodo acaba se justificando, pedindo muitas desculpas, se esquivando, se escondendo. Esse jeito de ser acaba, de fato, incomodando os outros, que precisam ficar insistindo, pedindo, reforçando tudo na tentativa de fazê-lo se sentir bem. 

Juntando tudo isso temos um ponto de convergência: um grandioso senso de importância dos dois grupos. O primeiro, o arrogante, por que adora ser o protagonista; e o segundo, o recatado, porque se sente inadequado e por isso acaba recebendo deferências e se tornando protagonista também. No final das contas o tímido e o narcisista têm o mesmo traço de personalidade: ambos acreditam que o foco está em si. 

Seja pela submissão ou pelo narcisismo, a dinâmica é uma só: quanto mais baixa a autoestima, mais alto o senso de importância - que acaba se desdobrando em grandes sofrimentos. 

Para uma vida psíquica saudável é preciso uma boa autoestima, ou seja, um bom juízo de valor de si próprio. Isso ocorre quando estamos satisfeitos com nossas condutas, atitudes, posturas, vivendo de acordo com o código interno de valor e nos comportando de maneira autoconstrutiva. 

Embora exista uma ideia equivocada, autoestima não tem a ver com beleza, bens materiais ou status – isso é “para fora” e está ligado à vaidade. Autoestima é “para dentro” e ocorre a partir dos avanços emocionais, desvinculada (parcialmente) do mundo exterior. 

Pessoas com boa autoestima são serenas, confiantes, sentem-se satisfeitas consigo e, mais, sabem que não são tão importantes assim, por isso não se sacrificam em função do julgamento alheio e fazem o que precisa ser feito. 

Importante ressaltar que autoestima se constrói através de condutas, limites, posicionamentos, escolhas, portanto está ao alcance de todos. Basta agir! 

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