Eu nunca pensei que veria o Brasil, conhecido como a terra da Constituição cidadã, encolher tanto no quesito mais básico de uma sociedade livre: a liberdade de expressão. Em 2025, assistimos com preocupação ao aumento de 20% no uso do Judiciário para coibir a imprensa, transformando parte dos juízes em censores e intimidadores de jornalistas e veículos que apenas querem informar a sociedade. Isso é grave. Isso é perigoso. Isso destrói confiança. É a face do autoritarismo travestido de falsa legalidade.
Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal bateu um recorde histórico em seus 134 anos: 80,5% de suas decisões foram monocráticas, decisões tomadas por apenas um ministro. Sem debate colegiado, sem transparência plena, sem o crivo que uma democracia saudável exige. E os deputados, pelo que são processados, hoje? E de que lado estão? E quem julga? Bom, é lastimável dizer que, a cada dez processos, sete são por manifestação de opinião e, 60% desses, na mão de um único ministro – que, novamente, é lastimável sabermos qual é o seu nome e sobre nome. Ele mesmo. E 95% desses processos, para a surpresa de zero pessoas, são direcionados a políticos de Direita ou Centro-Direita.
Uma nação que cerca a liberdade de imprensa e a Imunidade Parlamentar está caminhando perigosamente para o abismo da instabilidade política e social. A Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em agosto de 2025 mostrou que 45,4% da população percebe o país vivendo sob uma “ditadura do Judiciário”. Isso é um sinal de alerta vermelho, até porque, considerando os consultados que não souberam responder, a maioria inconteste reprova o poder aqui elencado, caros leitores do Hoje Em Dia.
E sigo alertando: os números não mentem. O Brasil caiu 6 posições no Índice de Democracia da The Economist, com o relatório apontando diretamente decisões que restringiram a liberdade de expressão como um fato, incluindo exemplos como o bloqueio da plataforma X no país em 2024 e do Rumble em 2025, que limitaram a capacidade de expressão dos cidadãos no ambiente digital.
Estamos mais próximo de regimes autoritários, como Coreia do Norte, Irã e Venezuela, do que de democracias estáveis, como os países nórdicos e a Nova Zelândia, por exemplo, segundo os estudos aqui analisados. E quando a voz é silenciada, a violência pode surgir no lugar da palavra.
A liberdade de imprensa e a Imunidade Parlamentar não são detalhes técnicos ou luxos intelectuais. São a base da democracia, o alicerce para uma cidadania ativa e o direito de manifestar indignações com o Estado. É a garantia de que o poder, tanto o Executivo, o Legislativo ou o Judiciário, seja observado, criticado e responsabilizado. Sem a Liberdade de Expressão, tudo se desfaz: a confiança nas instituições, a estabilidade social, o senso de pertencimento nacional.
Calar a voz do povo é calar o país. E um Brasil que se cala está condenado a repetir erros históricos que muitos países já pagaram com sangue e sofrimento. Nós precisamos urgentemente reverter esse declínio. Não por modismo ou opinião, mas por sobrevivência da nossa própria democracia. E nós vamos.