Ainda dá tempo de Cleitinho trocar de partido para disputar o Governo de Minas este ano?
Direção estadual da legenda do senador sinalizou que não lançará nome do parlamentar para disputa ao Palácio Tiradentes

O impasse entre Cleitinho Azevedo - líder nas pesquisas eleitorais pelo Governo de Minas mesmo sem candidatura confirmada - e o Republicanos, partido do senador, movimenta o cenário político mineiro nesta quarta-feira (29). Com a sinalização da executiva partidária estadual de que o parlamentar não vai participar da disputa este ano, fica a dúvida: Cleitinho ainda pode se filiar em outro partido para oficializar o nome à corrida pelo Palácio Tiradentes em 2026?
Conforme as regras da Justiça eleitoral, Cleitinho até pode trocar de partido sem perder a cadeira no Senado, mas não pode concorrer ao Governo de Minas neste ano por outra legenda. Mesmo com o cargo majoritário (presidente, governador, prefeito e senador), Cleitinho Azevedo precisa respeitar o prazo da janela partidária, encerrado em 4 de abril.
No caso de cargos proporcionais (vereadores e deputados federais ou estaduais), em que o mandato pertence à legenda, a troca de partido fora da janela partidária pode acarretar na perda do mandato.
Entenda o impasse
Na manhã desta quarta-feira, o Republicanos afirmou que conduziu as negociações pela oficialização do nome de Cleitinho ao Governo de Minas "com responsabilidade e transparência", mas declarou que a candidatura "nunca foi formalmente assumida" pelo parlamentar.
Segundo a sigla, durante meses foram mantidas conversas com o senador, que recebeu o apoio do partido para viabilizar uma eventual candidatura. De acordo com o Republicanos, a legenda aguardou uma definição de Cleitinho, adiou decisões estratégicas e trabalhou para reunir partidos aliados em torno do projeto.
A executiva estadual também declarou que uma candidatura depende, antes de tudo, da decisão do próprio interessado e criticou o que classificou como "sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições", que, segundo a legenda, comprometeram a construção de um projeto coletivo.
Outro ponto destacado foi a ausência de Cleitinho na Convenção Estadual do Republicanos, realizada no último dia 25 de julho. Embora o partido reconheça que o senador apresentou justificativas pessoais, afirma que o episódio teve consequências políticas. "Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral", diz outro trecho da nota.
Na terça-feira (28), o senador publicou nas redes sociais um vídeo produzido por inteligência artificial em que simulava um encontro com o pai e o irmão Mateus Azevedo, falecidos. Na gravação, a representação do irmão o incentivava a seguir em frente na caminhada política.
A reportagem procurou o senador Cleitinho e aguarda retorno.
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