2º TURNO

Alianças em Minas serão trunfo para Lula e Flávio Bolsonaro na corrida pela Presidência

As duas campanhas devem ampliar a presença no Estado, o segundo maior colégio eleitoral do país

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 12/10/2026 às 08:00.Atualizado em 12/10/2026 às 09:36.
 (Montagem com fotos de Ricardo Stuckert/ PR e Divulgação/ Campanha Flávio Bolsonaro)
(Montagem com fotos de Ricardo Stuckert/ PR e Divulgação/ Campanha Flávio Bolsonaro)

Estado considerado estratégico na corrida pela Presidência da República, Minas será um dos principais focos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha do 2º turno. Os candidatos, porém, vão enfrentar cenários diferentes no território mineiro. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro terá aliados de peso, como o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). Já o adversário petista perdeu o palanque estadual com a derrota de Patrus Ananias (PT).

Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Camilo Aggio, as duas campanhas devem buscar ampliar a presença no Estado, o segundo maior colégio eleitoral do país. Para o especialista, que é pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), Lula e Flávio devem buscar alianças com lideranças locais. 

Além de Cleitinho – eleito no 1º turno com 55,40% dos votos válidos –, Flávio contará com Nikolas Ferreira (PL). Reeleito deputado federal pelo PL, ele teve 3,1 milhões de votos, a maior votação já registrada para um candidato à Câmara dos Deputados.

Do lado de Lula, uma das estratégias é ampliar a presença nas redes sociais. Entre os nomes que podem atuar na campanha está Ana Elisa (PT), de 21 anos, eleita deputada federal com 524 mil votos. Ela terminou como a segunda candidata mais votada para a Câmara em Minas, atrás apenas de Nikolas. 

Temas defendidos

Além da disputa por alianças locais, os especialistas apontam diferenças na estratégia nacional que devem aparecer também na campanha em Minas. Segundo Aggio, Flávio tende a manter no centro do discurso temas que o ajudaram na votação do 1º turno, como economia, endividamento das famílias e segurança pública.

Para Lula, o cenário é menos definido. O professor considera que a campanha petista deverá discutir uma mudança na estratégia adotada. Aggio definiu que o foco do presidente ainda aparece como “um mistério”. 

E o Centrão?

Mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Walney Junior avalia que Lula precisa ampliar os apoios ao centro e adotar um discurso de estabilidade e moderação. “A prioridade dele deve ser valorizar entregas concretas na área social, manter a militância mobilizada nos redutos tradicionais e explorar o teto de rejeição do adversário”, diz.

Flávio, por sua vez, terá de consolidar o eleitorado que já o apoiou e buscar os votos que foram para os candidatos eliminados no primeiro turno, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). 

“A estratégia dele passa por um apelo forte a pautas de segurança pública, críticas duras à gestão econômica e uma mobilização digital contínua para evitar que sua base falte à votação. Ele também precisa ajustar o tom, mostrando uma postura mais equilibrada para reduzir resistências fora da sua bolha de apoio”, destaca. 

O peso de Minas na eleição presidencial

O peso de Minas na eleição presidencial vai além do tamanho do eleitorado (16.372.372 de eleitores). Desde 1989, o candidato que venceu a disputa presidencial em Minas também venceu a eleição no país.

No 1° turno, Flávio ficou com 48,24% dos votos em Minas, contra 43,33% de Lula. Até o momento, porém, ambas as campanhas não confirmaram agendas no território mineiro. Contudo, a tendência é que Lula e Flávio retornem ao Estado antes da votação do 2° turno. 

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