Aos 91 e 92 anos, eleitoras fazem questão de votar em BH: ‘Enquanto eu puder, eu vou’
Mesmo com voto facultativo a partir dos 70 anos, Maria José Villela e Irene Guimarães foram às urnas neste domingo (4); Minas tem mais de 2 milhões de eleitores nessa faixa etária

Mesmo sem a obrigação de comparecer às urnas, Maria José Villela, de 91 anos, e Irene Guimarães, de 92, fizeram questão de votar neste domingo (4), em Belo Horizonte. As duas estão entre os mais de 2 milhões de mineiros com 70 anos ou mais aptos a participar das Eleições 2026 e dizem que pretendem continuar exercendo o direito ao voto enquanto puderem.
Em Minas Gerais, 2.083.019 eleitores têm 70 anos ou mais, faixa etária em que o voto é facultativo. Eles representam 12,73% dos 16,3 milhões de mineiros aptos a votar neste ano. O número aumentou em relação às últimas duas eleições: eram 1.878.411 em 2024 e 1.802.756 em 2022.
Moradora do bairro Lourdes, na região Centro-Sul da capital, Maria José nasceu em 19 de julho de 1935 e chegou a cogitar não participar da eleição deste ano. A decisão, porém, mudou.
“Já cheguei a pensar em não votar, mas resolvi o contrário. Enquanto eu puder, eu vou. Acho muito importante”, contou.
Aos 91 anos, ela afirma que a escolha de sair de casa para votar partiu dela mesma, sem incentivo de familiares. Para Maria José, comparecer às urnas continua sendo uma forma de participar das decisões do país.
“Resolvi votar porque acho que estou exercendo a minha cidadania. Acho importante por causa do rumo do país. Talvez o meu voto ajude de algum modo”, afirmou.
Maria José também guarda lembranças da primeira vez em que participou de uma eleição. Segundo ela, foi durante uma disputa presidencial entre Juscelino Kubitschek e Adhemar de Barros. Décadas depois, diz que pretende continuar comparecendo às urnas. “Não sei se nas próximas eu vou estar por aí, mas, enquanto eu puder, eu vou.”
‘Nunca deixei de votar’
Para Irene Guimarães, de 92 anos, faltar a uma eleição nunca foi uma opção. “Sempre votei, nunca deixei de votar. Até doente”, contou após comparecer às urnas neste domingo.
A motivação, segundo ela, continua sendo a expectativa de contribuir para mudanças que alcancem as próximas gerações.
“É na esperança de um mundo melhor para os nossos netos, para os nossos bisnetos e para o povo brasileiro”, disse.
Entre as questões que mais chamaram a atenção de Irene durante o período eleitoral estão as dificuldades econômicas enfrentadas pela população. Ela cita o custo das despesas domésticas, o desemprego e a educação como temas que considera importantes para o país.
Depois de décadas participando das eleições, Irene resume a sensação de voltar às urnas em duas palavras: “Dever cumprido”.
E não pretende parar. Questionada se continuará votando nas próximas eleições, respondeu sem hesitar: “Enquanto eu viver”.
A participação política também está presente na família. Irene contou que a irmã, Emília Guimarães, tem 100 anos e acompanha política de perto. Segundo ela, a centenária também estava preparada para votar neste domingo. “Às quatro horas da manhã já está sentada na cama com o celular. Ela conhece de política muito mais do que eu”, brincou.
O crescimento do eleitorado mais velho acompanha uma mudança no perfil dos mineiros aptos a votar. Os eleitores com 70 anos ou mais correspondiam a 11,07% do total em 2022, passaram para 11,41% em 2024 e chegaram a 12,73% neste ano.