Após ordem de Dino, Carlos Viana defende envio de emendas e promete: 'vou mandar mais'
Declaração ocorre após o ministro Flávio Dino fixar um prazo de 5 dias para que o parlamentar responda às acusações de irregularidades

O senador mineiro Carlos Viana (Podemos) defendeu o envio de emendas parlamentares a instituições religiosas. A fala ocorreu nesta quarta-feira (19), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino fixar prazo de cinco dias para que o parlamentar responda às acusações de irregularidades no repasse de R$ 3,6 milhões a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, sediada em Belo Horizonte.
Segundo informações apresentadas a Dino, Viana teria destinado três repasses à Fundação Oasis, braço social da igreja:
- R$ 1,5 milhão (2019): emenda Pix à Prefeitura de Belo Horizonte com destino carimbado à Fundação Oasis;
- R$ 1,47 milhão (2023): repasse à Fundação Oasis de Capim Branco (região metropolitana de BH);
- R$ 650,9 mil (2025): novo repasse à filial de Capim Branco.
“Vou mandar mais. Eu espero continuar ajudando porque, na minha opinião, o governo tem uma dívida enorme com as igrejas, que fazem o trabalho de assistência social”, afirmou Viana.
O parlamentar também declarou que o dinheiro foi enviado apenas para as prefeituras locais - que teriam realizado planos de trabalho e repasse de recursos - e não diretamente às instituições religiosas.
Sobre a determinação do STF, o senador negou qualquer irregularidade e disse que irá responder nos autos, dentro do prazo estabelecido. "Fui eleito pelo povo, e não por indicação. Como agente público, minhas ações são transparentes e rigorosamente pautadas na lei. A prestação de contas é um dever permanente e deve ocorrer sempre que necessário".
Decisão de Dino
A decisão do ministro Dino foi tomada após os deputados federais Pastor Henrique Vieira (Psol) e Rogério Correia (PT) acusarem o senador de barrar as investigações sobre a Lagoinha. Viana é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com o senador, os questionamentos foram realizados apenas após a quebra do sigilo bancário de Lulinha, filho presidente Luís Inácio Lula da Silva. “Tentam desqualificar os investigadores, eu vejo dessa forma”, alegou Viana.
O presidente da CPI ainda disse estar com “muita confiança” em conseguir a prorrogação do prazo de finalização da comissão. Convocados, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, e o atual presidente, Gabriel Galípolo, devem ser os próximos nomes a comparecer ao Senado.
O Hoje em Dia tenta contato com a igreja Batista da Lagoinha.