CANDIDATO AO SENADO

Aro acusa Simões de traição, admite falha em articulações e faz apelo por Cleitinho

Candidato ao Senado atribui rompimento com governador à filiação de Carlos Viana ao PSD e diz que tentou, sem sucesso, unificar campo político em torno de três nomes

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 07/08/2026 às 08:28.Atualizado em 07/08/2026 às 14:07.
 (Redes Sociais/Reprodução)
(Redes Sociais/Reprodução)

Candidato ao Senado por Minas Gerais, Marcelo Aro (PP) admitiu que não conseguiu viabilizar a própria candidatura ao governo do Estado, acusou o governador Mateus Simões (PSD) de traição e fez um apelo para que o Republicanos reconsidere a decisão de não lançar o senador Cleitinho Azevedo na disputa pelo Palácio Tiradentes. As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (7), pouco mais de uma semana após o rompimento público entre Aro e o chefe do Executivo mineiro.

Aro afirmou que tentou construir uma candidatura capaz de reunir o campo político ao qual pertence, primeiro em torno de Simões e, posteriormente, de Cleitinho e dele próprio. Segundo o ex-secretário de Governo, nenhuma das articulações avançou. "Eu trabalhei para o Mateus ser o governador do nosso campo ideológico, mas não conseguimos porque o carisma do Mateus é de uma geladeira. A gente não conseguiu unir o nosso campo no nome do Mateus", disparou.

Após o rompimento com o governador, Aro chegou a articular uma candidatura própria ao Executivo estadual. Paralelamente, o Republicanos discutia a participação de Cleitinho na corrida pelo governo. As sucessivas idas e vindas do senador, porém, terminaram com a direção nacional da legenda tratando a candidatura como "página virada".

"Depois que a gente não conseguiu e teve a minha ruptura com o Mateus, nós tentamos unir o nosso campo ideológico com o Cleitinho, só que infelizmente teve essas idas e vindas no partido dele, e não conseguimos consolidar o nome do Cleitinho, que era, sim, o nome mais palatável para o nosso campo. Eu tentei de tudo, mas não consegui, nem para o Mateus, nem para o Cleitinho, nem para mim", reconheceu Aro.

Apelo por Cleitinho

Apesar da negativa do Republicanos, Aro afirmou acreditar que ainda há espaço para uma mudança de rumo e defendeu publicamente que a legenda lance Cleitinho ao Governo de Minas. "Eu tenho visto a movimentação do Republicanos e ainda acho que pode dar certo. Eu faço um apelo para que o Republicanos tome a decisão de lançar o Cleitinho como candidato", declarou.

Na avaliação de Aro, o senador ainda seria a opção mais competitiva do grupo político. "O Cleitinho tem densidade eleitoral e, se for candidato a governador, eu não tenho dúvida que é o melhor quadro para nos representar desta frente ideológica", completou.

Acusações de traição

Aro também elevou o tom contra Simões ao ser questionado sobre as acusações de traição feitas pelo governador após o rompimento entre os dois. "Quem traiu foi o Mateus. Assim que tivemos a ruptura, ele veio a público e falou mal de mim, me acusou. Quando Pedro fala de Paulo, a gente sabe mais do Pedro do que de Paulo. O traidor é o Mateus, ele tem histórico de traição", afirmou.

O candidato ao Senado citou como exemplos as negociações para a composição da chapa de Simões e alegou que o governador teria prometido a vaga de vice a diferentes grupos políticos antes da definição. Aro também classificou a saída de Simões do Novo e a filiação ao PSD como uma traição à antiga legenda e acusou o governador de agir por "conveniência eleitoral".

Rompimento após chegada de Viana ao PSD

No centro da divergência entre os dois está a composição da chapa para o Senado. Aro afirmou que havia recebido de Simões o compromisso de que seria candidato ao cargo no grupo governista e que deveria ter participado das discussões sobre o segundo nome para a disputa.

Segundo ele, a relação se deteriorou após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, em abril. Aro relatou que Simões comunicou por mensagem que Viana ingressaria na legenda, apesar de, segundo o ex-secretário, ter indicado anteriormente que a movimentação não ocorreria. "Mateus tinha um compromisso comigo de que eu seria o candidato a senador dele. Quando você tem um compromisso e um candidato a senador, o mínimo é partilhar com esse candidato quem será o segundo senador desta chapa", afirmou.

O rompimento veio a público no fim de julho. Na ocasião, Simões acusou o antigo aliado de "traição" e afirmou que o grupo político ligado a Aro havia "parasitado" o Governo de Minas por quatro anos para alimentar um projeto pessoal.

Aro ocupou posições de destaque durante a gestão de Romeu Zema (Novo), incluindo o comando da Casa Civil e da Secretaria de Governo. Ele deixou a secretaria em março deste ano, mas o rompimento definitivo com o grupo governista ocorreu meses depois, em meio às articulações para a eleição estadual.

A reportagem procurou Mateus Simões para comentar a entrevista. A assessoria de imprensa informou que ele não vai se pronunciar.

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