Marketing Eleitoral

‘As eleições de 2026 serão decididas no celular’, avalia Zuza Nacif, estrategista político e digital

Especialista destaca que estratégia de "hipersegmentação" terá impacto significativo no pleito deste ano, que vai definir presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 06/01/2026 às 20:12.Atualizado em 06/01/2026 às 20:12.
CEO da Brasil Comunicação, Zuza Nacif (Divulgação/ Brasil Comunicação)
CEO da Brasil Comunicação, Zuza Nacif (Divulgação/ Brasil Comunicação)

As eleições de 2026 serão decididas pelo celular. É o que acredita o estrategista político e digital e CEO da Brasil Comunicação, Zuza Nacif, sobre o pleito deste ano. Segundo o especialista, o próximo ciclo eleitoral irá “consolidar” a soberania absoluta das campanhas políticas na internet em relação aos tradicionais horários eleitorais da televisão. 

Para Nacif, o celular será o “campo de batalha definitivo” das eleições. A grande mudança para 2026, segundo o especialista, está na capacidade de "nichar" discursos no ambiente digital e alcançar diferentes perfis de eleitores. 

“Você vai destrinchar o discurso para fazer sentido para cada pessoa. As próprias ferramentas do telefone hoje, quando você busca impulsionamento no Meta, no Facebook, no Instagram e até no TikTok, elas já permitem essa hipersegmentação. A televisão não. Se eu não estiver com ela ligada, eu não vou ver, e o discurso dela é generalizado”, destaca. 

Conforme o especialista, o conceito de hipersegmentação é inspirado na campanha de Barack Obama em 2012, que utilizou mais de 1.600 segmentos de público, e ajudou o político a ser eleito nos Estados Unidos. Ele explica que a estratégia ficou ainda mais forte com o impulsionamento da Inteligência Artificial. 

"Hoje, temos pessoas que transitam entre pautas da direita e da esquerda. Elas podem ser contra o aborto, mas a favor do casamento homoafetivo. A inteligência artificial permite rastrear esses perfis, entender a linguagem de suas 'bolhas' e criar propostas específicas que façam sentido para a realidade individual de cada um", explica.

Nacif destaca que as Eleições Municipais de 2024 foram um “exemplo” do que está por vir, citando o desempenho do candidato Pablo Marçal (PRTB) em São Paulo como um exemplo claro. Enquanto adversários focaram em estrutura de rua e tempo de TV, Marçal utilizou uma comunicação 100% digital, focando em tendências de comunicação da “Geração Z” para rivalizar com candidatos estabelecidos. 

Apesar de não conquistar o pleito, Marçal recebeu 28,14% dos votos, total de 1.719.274. O candidato ficou 56,8 mil votos atrás de Guilherme Boulos (PSOL), que disputou o segundo turno e acabou derrotado por Ricardo Nunes (MDB).  

Diferencial das Eleições 2026

De acordo com Nacif, o grande diferencial de 2026 será a capacidade de dialogar com a parcela da população que não se identifica com políticos de direita e esquerda. Para o especialista, quem conseguir alcançar esse público e apresentar propostas concretas para o cotidiano, em vez de apenas rótulos ideológicos, terá grande vantagem no pleito.

"O eleitor quer saber: no final do dia, a minha vida continua. Quem vai apresentar propostas reais? Desde as eleições de 2018, não discutimos propostas para o Brasil; só debatemos se você é de direita ou de esquerda. A população está exausta disso”, completa. 

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