
Mesmo com o término das convenções partidárias - o prazo para as legendas decidirem sobre a escolha de candidatos terminou nessa quarta-feira (5) -, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda pode disputar o Governo de Minas nas eleições de 2026. A brecha existe por conta da ata registrada pelo Republicanos, dentro do prazo, na Justiça Eleitoral. O partido não definiu um nome, mas informou que terá candidatura própria ao Palácio Tiradentes.
Segundo o doutor em Direito Eleitoral Igor Oliveira, da Comissão Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), a decisão está concentrada na direção estadual da legenda e pode ser tomada até 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG)
A ata da reunião realizada pelo Republicanos após a convenção estadual estabelece que o partido terá candidatos a governardor, vice-governador e senador. O documento atribui ao presidente estadual do partido, deputado federal Euclydes Pettersen, definir os filiados que serão registrados dentro do prazo legal.
"É a caneta do Euclydes que vai definir quem será o candidato ou até mesmo se o partido abrirá mão dessa candidatura própria", afirma.
Na prática, por ser filiado ao Republicanos, Cleitinho segue com chances. No entanto, nos bastidores, outro nome cotado é o do ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, que estava à frente da Associação Mineira de Municípios (AMM).
Executiva estadual promete insistir no nome de Cleitinho
Procurado, o Republicanos confirmou que terá chapa "puro sangue" na disputa. "O presidente estadual ainda não desistiu do nome do senador Cleitinho, ao qual ele sempre foi o grande incentivador e entusiasta. Estão juntos mais de 5 anos e construindo esse caminho. Vamos insistir no nome do senador até o último instante", informou a legenda.
Recuos e reviravoltas na corrida eleitoral
O anúncio da candidatura própria do Republicanos ocorre após semanas de impasse com o senador Cleitinho, que liderava pesquisas de intenção de voto no estado. Desde julho, o parlamentar alternou declarações sobre a disputa, adiou a decisão por diversas vezes, faltou à convenção estadual, confirmou o projeto e desistiu para, em seguida, voltar atrás.
Na última segunda-feira (3), ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e do presidente estadual da sigla, deputado federal Euclydes Pettersen, Cleitinho informou que não concorreria ao cargo. Na ocasião, declarou que priorizaria a família após a morte do irmão, Matheus Azevedo.
No entanto, no dia seguinte, durante a convenção nacional do partido em Brasília, o senador defendeu publicamente sua permanência no pleito, argumentando ter desistido em um momento de fragilidade emocional e solicitando uma nova oportunidade à legenda.
Direção nacional considera assunto encerrado
O novo pedido do parlamentar não foi aceito pela cúpula nacional. Em entrevista coletiva, Marcos Pereira afirmou que o partido precisava encerrar a incerteza e classificou o tema como "página virada", destacando que as constantes alterações de posicionamento motivaram a deliberação da sigla.
Registro das candidaturas
Os partidos, federações e coligações têm até 19h de 15 de agosto para submeter os pedidos de registro dos candidatos. O envio das documentações deve ser feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o cargo de presidente da República e aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para as demais vagas. A Justiça Eleitoral passará a analisar o cumprimento dos requisitos legais de elegibilidade, como idade e filiação partidária.
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