DISPUTA ELEITORAL

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio, Nikolas e outros por vídeos manipulados sobre ato em SP

Campanha pede retirada urgente de publicações que associam manifestantes a drogas, vandalismo e terrorismo

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 12/10/2026 às 15:21.Atualizado em 12/10/2026 às 15:28.
Coligação de Lula acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro e outros apoiadores por publicações sobre manifestação realizada na Avenida Paulista (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Coligação de Lula acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro e outros apoiadores por publicações sobre manifestação realizada na Avenida Paulista (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta segunda-feira (12), contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e outros apoiadores por publicações que, segundo a campanha, utilizam vídeos manipulados para atacar uma manifestação pró-Lula realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo. Entre as provas apresentadas está um vídeo gravado no Chile e publicado um dia antes do ato, mas utilizado nas postagens como se mostrasse participantes da mobilização brasileira.

A representação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais e também tem como alvos o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado Rony Gabriel (Podemos-RS), o empresário Pablo Marçal, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) e o diretório nacional do Partido Liberal.

A campanha de Lula acusa os envolvidos de divulgar conteúdos que associam os manifestantes, de forma generalizada, ao consumo de drogas, à depredação de patrimônio público e ao apoio a organizações terroristas. Segundo a ação, as publicações foram utilizadas para desqualificar os participantes e incentivar votos em Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

A coligação pede que o TSE determine, em caráter de urgência, a retirada dos vídeos das redes sociais e impeça novas publicações do mesmo material. A representação foi distribuída ao ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, e o documento apresentado ainda não contém decisão sobre o pedido.

Vídeo publicado no Chile aparece em montagem sobre ato na Paulista

Um dos principais argumentos da ação é a utilização de imagens que, conforme a documentação apresentada pela coligação, não têm relação com a manifestação realizada em São Paulo.

A petição aponta que um dos trechos incluídos no vídeo publicado por Rony Gabriel já circulava na plataforma X em 10 de outubro, um dia antes do ato, em uma publicação feita por um perfil identificado como Justiniano, no Chile.

Os advogados anexaram capturas das duas publicações para sustentar que as imagens foram retiradas de seu contexto original e apresentadas como parte da manifestação na Avenida Paulista.
Segundo a coligação, a montagem foi utilizada para construir uma narrativa negativa sobre os apoiadores de Lula, atribuindo a eles comportamentos que não teriam sido demonstrados.

Em um dos vídeos questionados, Rony Gabriel afirma que os manifestantes estariam destruindo espaços públicos, consumindo drogas e defendendo movimentos terroristas. Ao final, pede votos para Flávio Bolsonaro: “No dia 25 é Flávio Bolsonaro 22”.

A coligação sustenta que as acusações não foram comprovadas e que a publicação utiliza imagens isoladas para atribuir comportamentos criminosos a todos os participantes da manifestação.

Publicações de Pavanato também são contestadas

A representação questiona ainda um vídeo divulgado pelo vereador Lucas Pavanato, acompanhado da legenda “O PT vandalizou SP. Esse vídeo precisa rodar”. Na gravação, o parlamentar acusa participantes do ato de vandalizar uma estação de metrô e utiliza expressões depreciativas para se referir aos manifestantes. Também incentiva o compartilhamento das imagens para convencer eleitores indecisos a votar em Flávio Bolsonaro.

A campanha de Lula argumenta que as publicações ultrapassam os limites da crítica política por apresentarem acusações sem comprovação e associarem a manifestação, de maneira generalizada, a práticas criminosas.

O documento também identifica publicações e compartilhamentos em perfis ligados a Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, Nikolas Ferreira e ao PL, em plataformas como Instagram, Facebook, X e Threads.

Coligação pede retirada em 24 horas e multa máxima

Na ação, a coligação solicita que o TSE determine a remoção ou indisponibilização das publicações em até 24 horas, caso a medida liminar seja concedida. O pedido também prevê a proibição de novas divulgações do mesmo material ou de conteúdos semelhantes, sob pena de multa.

Se os responsáveis não cumprirem eventual determinação judicial, a campanha pede que as plataformas sejam notificadas para retirar diretamente as publicações. Ao final do processo, os advogados solicitam a exclusão definitiva dos conteúdos e a aplicação da multa eleitoral no valor máximo previsto em lei para cada publicação considerada irregular.

A ação foi registrada sob o número 0602861-90.2026.6.00.0000 e tem como fundamento dispositivos da legislação eleitoral que proíbem a utilização de conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados capazes de prejudicar a disputa.

Até a apresentação da petição, não havia decisão judicial sobre as acusações. A representação expressa os argumentos da coligação de Lula, que ainda deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral.

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