
A ministra Cármen Lúcia afirmou que se sente envergonhada pelo momento em que vive o Supremo Tribunal Federal (STF). Ela ainda pediu desculpas ao povo brasileiro que, provavelmente, esperava “uma postura diferente” dos membros da casa.
A fala aconteceu nesta terça-feira (15) durante a votação para definir se será julgado simultaneamente com o pedido de apuração de sua conduta na relatoria nas investigações sobre o Banco Master.
“Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo, que são questões processuais, em parte com muita expressão e com questões graves mesmo, mas não garantimos o rigor e a serenidade que no meu papel de cidadã e juíza eu deveria ter ajudado mais a promover", disse Cármen.
Ela ainda ressaltou que não sofre pressão dentro ou fora do STF por determinado voto e que a corte "precisa da independência necessária para continuarmos a ser juízes". Em seguida, ela votou a favor da junção dos julgamentos de Moares e Mendonça.
Com o voto de Cármen Lúcia, o placar está 4 a 3 a favor dos casos serem julgados separadamente.
Entenda
O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando o plenário da Corte foi acionado por André Mendonça, após a apuração da Polícia Federal (PF) identificar que Vorcaro entrou em contato com um número de celular atribuído a Moraes.
A investigação aponta que o ex-banqueiro trocou cerca de 50 mensagens com o número antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.
Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.
Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
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