Troca de Farpas

De fantoches a pedidos de desculpas: entenda o embate entre Zema e Gilmar Mendes

Ministro do STF e o ex-governador de Minas Gerais têm trocado farpas públicas em meio à campanha do político sobre "farra dos intocáveis"

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 24/04/2026 às 09:50.Atualizado em 24/04/2026 às 10:04.
 (Montagem - Dirceu Aurélio/ Imprensa MG e José Cruz/Agência Brasil)
(Montagem - Dirceu Aurélio/ Imprensa MG e José Cruz/Agência Brasil)

O cenário político nacional registrou um novo episódio de tensão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O desentendimento, que envolve o uso de vídeos satíricos com fantoches e críticas pessoais, ganhou novos capítulos com um pedido formal de desculpas por parte do magistrado após uma declaração polêmica em que questionava se seria ofensivo retratar o ex-governador como um "boneco homossexual".

Ao ser indagado sobre os limites do humor e das críticas contra autoridades, o ministro utilizou um exemplo hipotético que gerou forte reação negativa. Ele questionou se Zema se sentiria ofendido caso fossem feitos bonecos retratando o político como homossexual ou como alguém que rouba dinheiro do Estado.

O ex-governador utilizou suas redes sociais para criticar o magistrado, afirmando que o ministro se comporta como alguém "acima de tudo e de todos" e que a fala era "vergonhosa". Diante da repercussão negativa e de acusações de homofobia, Gilmar Mendes se desculpou.

"Há uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo. Vou enfrentá-la. E não tenho receio de reconhecer um erro. Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo", disse o ministro no X (antigo Twitter).

Entenda

O estopim para a crise recente foi a publicação de vídeos nas redes sociais de Romeu Zema. Nas imagens, o político utiliza fantoches para encenar diálogos que satirizam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O roteiro das esquetes aborda o escândalo do Banco Master e foi denominada como "farra dos intocáveis” pelo ex-governador.

Como resposta, na última segunda-feira (20), Gilmar Mendes solicitou oficialmente que o ex-governador fosse incluído no Inquérito das Fake News. Para o decano do STF, o material compartilhado extrapola o direito à crítica e configura uma tentativa de descredibilizar as instituições democráticas. Zema, por sua vez, ignorou o pedido de investigação e intensificou as postagens com os bonecos.

Em entrevista ao Jornal da Globo, o ministro Gilmar Mendes comentou o estilo de comunicação de Romeu Zema, afirmando que o político utilizava uma "língua próxima do português". A declaração foi interpretada por aliados de Zema como um deboche ao sotaque e ao jeito simples de falar, característico de Minas Gerais.

Zema rebateu dizendo que possui o "linguajar de brasileiros simples" e contrastou sua forma de expressão com o que chamou de "português esnobe dos intocáveis de Brasília". Para o político, a fala do ministro reforça a distância entre a elite do Judiciário e a população comum.

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