De favorito nas pesquisas a 'página virada' no Republicanos; veja as idas e vindas de Cleitinho
Senador adiou decisão por meses, faltou à convenção do Republicanos, anunciou candidatura, desistiu, voltou atrás e teve novo pedido rejeitado pela direção nacional

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas de intenção de voto para o Governo de Minas, protagonizou nas últimas semanas uma sequência de idas e vindas que terminou com a negativa definitiva do próprio partido à candidatura. Entre julho e agosto, o parlamentar adiou repetidamente a decisão, faltou à convenção estadual da legenda, anunciou que disputaria o Palácio Tiradentes, desistiu da corrida, voltou atrás menos de 24 horas depois e, por fim, ouviu do presidente nacional do Republicanos que o assunto é "página virada".
A indefinição começou ainda antes do período das convenções partidárias. Em julho, Cleitinho afirmou que só revelaria a decisão no último dia do prazo eleitoral, em 5 de agosto, dizendo que queria "deixar o povo mais doido ainda". O senador também declarou que somente entraria na disputa caso continuasse liderando as pesquisas e chegou a admitir, em entrevistas, que manter o suspense fazia parte de sua estratégia política.
Convenção sem candidato
O momento considerado decisivo ocorreu em 25 de julho. Apesar da expectativa de que tivesse o nome homologado, Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A legenda também não apresentou outro candidato ao Governo de Minas, mantendo a definição em aberto. O senador estava em luto, após o irmão Matheus Azevedo falecer.
Nos dias seguintes, familiares e aliados reforçaram publicamente que o senador disputaria o governo. O irmão, deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), afirmou que a candidatura seria confirmada até o fim das convenções, destacando que a família vivia um momento delicado após a morte do irmão.
Republicanos endurece o discurso
A situação mudou em 29 de julho, quando o Republicanos divulgou uma nota afirmando que Cleitinho "nunca foi formalmente assumido" como candidato. Segundo a Executiva Estadual, o partido aguardou durante meses uma definição do senador, adiou decisões estratégicas e trabalhou para reunir aliados, mas criticou os "sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições" do parlamentar. A ausência na convenção também foi apontada como fator determinante para o desfecho.
Mesmo após o posicionamento da legenda, Cleitinho reagiu poucas horas depois. Em um ato realizado em Divinópolis, afirmou em praça pública que era candidato ao Governo de Minas e apresentou o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como vice na chapa. Na ocasião, pediu desculpas ao partido pelos atrasos, alegou que o luto pela morte do irmão influenciou sua decisão e disse que tentaria convencer o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, a voltar atrás.
Desistência e nova mudança
Na segunda-feira (3), porém, o cenário mudou novamente. Ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual da legenda, deputado federal Euclydes Pettersen, Cleitinho anunciou, emocionado, que não disputaria o Governo de Minas. Chorando, afirmou que precisava cuidar da família e dele próprio antes de assumir um novo desafio político.
Menos de 24 horas depois, durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, o senador voltou atrás. Em discurso, pediu publicamente uma nova oportunidade para disputar o Palácio Tiradentes e disse que havia tomado a decisão de desistir em um momento de vulnerabilidade. Também afirmou que familiares o convenceram a permanecer na corrida eleitoral.
'Página virada'
O novo apelo, no entanto, foi rejeitado pela direção nacional do partido. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (4), Marcos Pereira afirmou que o Republicanos precisava encerrar a indefinição às vésperas do fim do prazo das convenções e classificou as mudanças de posição do senador como um cenário de instabilidade.
"Diante desse cenário, dessa instabilidade, compreensível pelo momento que ele está passando, e das suas idas e vindas, o partido tomou uma decisão", afirmou o presidente nacional da legenda. Em seguida, concluiu: "Para mim, o tema é página virada".
Calendário eleitoral
O encerramento das convenções partidárias poderão ser realizadas até quarta-feira (5), no limite fixado pela legislação eleitoral. Após essa etapa, as legendas têm até a data limite estabelecida para registrar formalmente as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando então será iniciada a campanha eleitoral oficial.
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