Mudança de postura?

Debate na Globo: Lula e Flávio não abrem mão dos ataques, mas tentam apresentar propostas

Candidatos se enfrentaram pela última vez antes do 2° turno

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 24/10/2026 às 00:38.Atualizado em 24/10/2026 às 09:40.
Candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram de debate transmitido pela TV Globo no 2° turno das eleições (Reprodução / TV Globo)
Candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram de debate transmitido pela TV Globo no 2° turno das eleições (Reprodução / TV Globo)

Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram nesta sexta-feira (23) do último debate antes do 2° turno da eleição de 2026. Diferentemente do primeiro encontro entre os adversários, em que ambos focaram em atacar um ao outro e “esqueceram” de apresentar propostas, agora eles “tentaram” dar detalhes dos planos de governo para o país, mas, sem “perder chances” de criticar um ao outro. 

Logo no primeiro bloco, Flávio questionou Lula sobre o avanço da infraestrutura do país no mandato do petista. Em resposta, o presidente afirmou que o senador “não conhece o Brasil”, ao citar obras feitas no atual governo. 

Depois, o senador voltou a criticar o poder de compra do brasileiro no atual governo. “Não adianta nada o salário mínimo ser de R$ 1.621 se você dá com uma mão e tirar com os nove dedos Lula. Você simplesmente invade o bolso do contribuinte, você implementou a carga tributária mais alta deste país na história”, disse o senador. 

Lula não gostou de ser chamado de “nove dedos” e chamou o adversário de “miliciano”. Na sequência, Flávio afirmou: 'se eu te ofendi, peço desculpa de verdade. Não queria te ofender".

“O grande momento desse debate foi exatamente esse, que é quando Lula se sente atacado pessoalmente, reage de maneira muito forte, e Flávio, então, toma ali uma atitude que eu diria muito relevante, de pedir desculpas”, analisou o diretor da Quaest, Felipe Nunes, durante o programa Central das Eleições, da Globonews.

Mais ataques de ambos os lados

O presidente ainda afirmou que o candidato do PL “nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional”.

Em outro momento do encontro, Flávio afirmou que Lula “prometeu picanha” para os brasileiros e “entregou dívidas” ao ser questionado sobre o tema “endividamento”. Além disso, o senador prometeu levar “prosperidade” às periferias do país.

Último debate foi melhor, avalia cientista político 

Cientista político e diretor do Instituto Ver, Malco Camargos avaliou que o debate desta sexta-feira (23) foi mais interessante para o eleitor do que o primeiro, realizado na Band, que ficou marcado por ataques entre os candidatos. 

“O primeiro ponto a destacar é a qualidade do debate em relação ao debate anterior da Band. Acho que serviu como um aprendizado em relação ao que o eleitor pode ou é levado a acompanhar durante o processo de debate. No debate anterior era impossível reconhecer qualquer tipo de proposta ou de posse aleatória dos candidatos. No debate da Globo, isso foi possível”, avaliou. 

Para Malco, cada um dos candidatos conseguiu falar sobre temas, regiões, presente, passado e futuro do Brasil. Contudo, segundo o especialista, não é possível constatar quem saiu como “vencedor” do debate.

“Na prática, Flávio saiu com uma imagem mais desgastada da sua pessoa. De outro lado, Lula saiu com lacunas que tem que defender do tempo do seu governo e das entregas que deu para o país”, afirmou. 

Além disso, Camargos avalia que o debate não deve influenciar no resultado de domingo. “Eleitores do Flávio acham que ele foi melhor. Eleitores do Lula também acham que ele foi melhor. Então, nessa escolha, o movimento que vai se dar de agora até domingo não é resultado desse debate, mas o resultado que vem acontecendo desde o dia 5 de outubro, quando começou o 2° turno das eleições”. 

Vorcaro e Tigrinho não ficam de fora 

Ao longo do debate, temas como “Tigrinho” e o escândalo do Banco Master vieram à tona. Primeiro, os candidatos trocaram acusações sobre as apostas on-line e protagonizaram um embate envolvendo o chamado “Tigrinho” - jogo com base em combinações de figuras. 

O presidente afirmou que decidiu acabar com as bets por causa dos prejuízos financeiros e dos impactos na saúde mental dos apostadores. Flávio, por sua vez, acusou Lula de ter permitido a expansão dos cassinos on-line no país e de tentar reverter a medida às vésperas da eleição. Em resposta, o petista associou o senador e o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de terem criado o “Tigrinho”.

Depois, as supostas relações de Flávio e Lula com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de investigações por graves crimes financeiros e de obstrução de Justiça que está preso em Brasília, viraram tema do debate.  O senador citou uma garrafa de uísque Macallan (avaliado em cerca de R$ 500 mil) que teria sido enviado pelo dono do Banco Master a Lula, que rebateu dizendo que Flávio e Vorcaro pareciam “uma coisa só”.

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