Eleições: o que os candidatos ao Governo de Minas propõem para a segurança pública?
Postulantes ao Palácio da Liberdade citam combate ao crime organizado, integração das forças de segurança, valorização dos profissionais e proteção às mulheres

A violência é uma das principais preocupações da população não só em Minas, mas em todo o país. Na tentativa de convencer os mineiros sobre as ações necessárias para a segurança pública, capazes de garantir proteção e combate ao crime, os 11 candidatos ao Governo de Minas apresentam diferentes propostas. Entre os temas mais recorrentes nos planos de governo estão enfrentar as facções, fortalecer o serviço de inteligência, valorizar os efetivos policiais e investir em medidas de prevenção, sobretudo contra a violência doméstica. Apenas dois deles, no entanto, citam a implantação do uso de câmeras corporais nas forças de segurança.
As propostas também passam por mudanças na estrutura e no funcionamento das forças de segurança, uso de tecnologia, integração entre instituições, controle e ressocialização no sistema prisional. Alguns candidatos defendem ainda alterações mais profundas no modelo atual e a adoção de políticas sociais como parte das estratégias de prevenção.
Alexandre Kalil (PDT)
Alexandre Kalil (PDT) propõe uma política de segurança orientada pela realidade de cada território mineiro, com distribuição de efetivo, equipamentos e investimentos conforme os locais e horários de maior incidência criminal. O plano prevê metas específicas para as 19 Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs), com estratégias distintas para cidades com concentração de homicídios, além do fortalecimento da "inteligência policial".
Dentre as principais medidas estão a criação da tecnologia Muralha Digital de Minas Gerais, integrando videomonitoramento, leitura de placas, sensores e bases de dados. O plano também prevê a universalização progressiva das câmeras corporais nas fardas, reforço da investigação e da perícia, combate à estrutura financeira das organizações criminosas, com bloqueio e apreensão de recursos, e atuação específica contra tráfico, roubos de carga, mineração ilegal e crimes cibernéticos.
O candidato também defende a valorização dos profissionais da segurança, fortalecimento da proteção às mulheres, prevenção da violência envolvendo crianças e adolescentes, maior cooperação com municípios e Guardas Municipais, reforço da segurança no campo e o que candidato chama de "recuperação do controle do sistema prisional". Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Ben Mendes (Missão)
Ben Mendes (Missão) coloca o enfrentamento ao crime organizado como prioridade, com integração entre as forças estaduais, órgãos federais e estados vizinhos. O plano de governo prevê fortalecer o sistema prisional para impedir que organizações criminosas utilizem presídios, segundo ele, "como centros de comando", além de ampliar a "inteligência penitenciária" e combater comunicações ilegais.
Na proposta também consta valorização dos profissionais, com formação continuada, equipamentos, infraestrutura, proteção jurídica, assistência à saúde física e mental e políticas de prevenção ao adoecimento. O plano inclui ainda um sistema estadual integrado de inteligência criminal, apoio tecnológico às investigações, fortalecimento da Polícia Civil e ampliação das operações policiais.
Entre as chamadas "missões estratégicas" estão a integração das capacidades de inteligência das forças de segurança com Ministério Público, Judiciário e órgãos federais, a caça a ativos do crime, a recuperação de territórios vulneráveis à atuação de facções e o fortalecimento dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Cleitinho (Republicanos)
Cleitinho (Republicanos) propõe ampliar a presença das forças de segurança, com policiamento orientado por dados nas áreas de maior incidência criminal e reforço da atuação nas regiões rurais. Também prevê a criação de um Comando de Inteligência, reunindo em uma plataforma integrada informações da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e sistema prisional.
O plano prevê combate à estrutura financeira das organizações criminosas, com foco na lavagem de dinheiro e nas rotas de tráfico, além de medidas para barrar a violência contra a mulher. Entre elas, a expansão das delegacias especializadas, o fortalecimento da Patrulha de Proteção à Mulher, a ampliação do monitoramento eletrônico de agressores e a criação de um programa educacional de prevenção.
Também são propostas a modernização do Plantão Digital da Polícia Civil, investimentos na perícia e na investigação, recomposição salarial e dos efetivos da segurança pública, concursos periódicos e modernização do sistema prisional e socioeducativo. O plano ainda prevê ampliar a presença do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil no interior de Minas. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Flávio Roscoe (PL)
Flávio Roscoe (PL) concentra as propostas em três frentes: superlotação do sistema prisional, criminalidade em Belo Horizonte e violência doméstica. Para o sistema prisional, propõe um "plano de emergência" para enfrentar o déficit de vagas, combinando a ampliação da capacidade com parcerias público-privadas (PPPs).
Na segurança da capital, o plano prevê policiamento orientado por dados e maior integração entre as polícias Civil e Militar para enfrentar homicídios e tráfico. Para a violência contra a mulher, propõe ampliar a rede de proteção.
O candidato também propõe criar, dentro da Polícia Civil, um protocolo de reavaliação obrigatória de risco a cada 30 dias para vítimas com medidas protetivas ativas. Os casos classificados como de "risco extremo" teriam prioridade de acompanhamento. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Gabriel Azevedo (MDB)
Gabriel Azevedo (MDB) diz ser necessário "reconstruir a relação" entre Governo e forças de segurança, com diálogo permanente e política salarial pactuada. O plano prevê recomposição gradual dos quadros das forças de segurança a partir de diagnósticos técnicos e regionais, além de investimentos em investigação, perícia, inteligência, combate ao crime digital e recuperação de ativos.
Entre as principais medidas está a criação de um Centro Integrado de Inteligência Criminal, com base de dados única para integrar as polícias, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal e, quando necessário, forças federais. Também propõe um portal de dados criminais territorializados e atualizados, além do uso de tecnologia para investigação.
O plano ainda prevê "recuperar o controle do sistema prisional", com bloqueadores de celular, isolamento de lideranças, novas vagas e expansão das APACs. Na proteção às mulheres, propõe ampliar a rede de atendimento, criar estruturas regionais e casas de acolhimento, monitorar medidas protetivas e adotar medidas de acompanhamento às vítimas. Outra proposta é um programa estadual contra roubos e furtos de celulares, com integração de IMEI, rastreamento, bloqueio e recuperação dos aparelhos. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Henrique Áreas (PCO)
Henrique Áreas (PCO) propõe a "dissolução" da Polícia Militar e de tudo o que o plano de governo chama de aparato repressivo, além da formação de comitês de autodefesa dos trabalhadores da cidade, do campo e das comunidades indígenas. O programa também defende o direito de autodefesa dos trabalhadores.
O plano ainda defende a liberdade irrestrita de expressão na imprensa, internet e ruas. Também quer o cancelamento das concessões dos grandes meios de comunicação, com estatização das empresas.
O programa ainda defende a quebra do monopólio das grandes empresas privadas de telecomunicações e a oferta de internet gratuita para toda a população. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Indira Xavier (UP)
Indira Xavier (UP) concentra as propostas de segurança no enfrentamento à violência contra as mulheres, com a ampliação da rede de proteção. O plano prevê aumentar o número de delegacias especializadas, ampliar canais públicos de denúncia e expandir a rede estadual de combate à violência doméstica.
Entre as medidas estão a criação de casas-abrigo, transferência de renda para mulheres vítimas de violência, auxílio jurídico, acompanhamento de assistentes sociais e atendimento psicológico, além de políticas de aluguel social. O plano também propõe uma rede de referência para pessoas LGBTQIA+, envolvendo órgãos públicos e sociedade civil, com ações de formação profissional e combate à violência. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Mateus Simões (PSD)
Mateus Simões (PSD) propõe manter o enfrentamento às organizações criminosas em três frentes: territorial, econômico-financeira e institucional. O plano prevê reforçar o controle nas divisas de Minas, com policiamento, monitoramento e integração de bases de dados com outros estados e com a União.
Também estão entre as propostas a ampliação do uso de tecnologia e inteligência na atividade policial e na perícia criminal, além da criação de estratégias específicas para crimes cibernéticos, incluindo atuação sobre os fluxos financeiros ligados a esses crimes e a ações de educação digital da população.
Na proteção às mulheres, o plano prevê aprofundar políticas de prevenção e atendimento integrado entre segurança, saúde e assistência social. Para o sistema prisional, propõe combinar responsabilização e ressocialização, com ênfase no trabalho e na interrupção da atuação criminosa dentro das unidades. O candidato também defende a valorização dos profissionais de segurança, incluindo maior remuneração, melhores condições de trabalho, aquisição de novos equipamentos e atenção à saúde mental. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Patrus Ananias (PT)
Patrus Ananias (PT) propõe consolidar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) em Minas, com integração entre instituições, compartilhamento de informações, planejamento conjunto e valorização dos profissionais. O plano prevê ampliar o serviço de inteligência e a investigação integrada contra organizações criminosas, além de fortalecer ações para atingir a estrutura econômico-financeira das facções.
Entre as medidas estão o combate a crimes cibernéticos, a fraudes digitais e a roubos de celulares, com uma sala integrada de resposta rápida envolvendo bancos, fintechs e operadoras. Também é proposta a Estratégia Estadual Celular Seguro, com operações em parceria com municípios para combater o comércio de aparelhos roubados e furtados e recuperar os celulares.
O plano ainda prevê ampliar a rede de proteção às mulheres, com Casas da Mulher Brasileira, delegacias especializadas, Patrulha Maria da Penha e serviços integrados. Na área prisional, propõe reforçar a fiscalização e o controle das unidades, separar presos conforme o perfil dos crimes, reduzir prisões provisórias em articulação com o sistema de Justiça, ampliar centros de ressocialização e investir em educação, emprego, esporte e cultura. Também prevê câmeras corporais progressivamente nas forças de segurança. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Professor Túlio Lopes (PCB)
Professor Túlio Lopes (PCB) propõe tratar a segurança pública como "um direito social", com foco na proteção da vida. O plano defende planos de carreira e valorização salarial dos profissionais de segurança, além de investimentos na inteligência forense, ampliação da polícia científica e "garantia de autonomia e imparcialidade da perícia".
A proposta prevê priorizar investigações de crimes financeiros, ambientais, corrupção empresarial e violência doméstica. Também defende a desmilitarização e unificação das polícias em uma força civil estadual, além da criação de Conselhos Populares de Segurança Pública, formados por trabalhadores da segurança e membros das comunidades, com poder de fiscalização e investigação de abusos.
O candidato também propõe uma academia unificada de formação, com foco em direitos, mediação de conflitos e trabalho comunitário. Na prevenção, defende ações integradas de educação, cultura, esporte e trabalho, além de desarmamento civil e combate às milícias. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
Rafael Duda (PSTU)
Rafael Duda (PSTU) concentra as propostas no combate no que ele classifica como "diferentes formas de opressão" e à violência contra grupos vulneráveis. O plano defende a ampliação da Lei Maria da Penha, o combate ao genocídio da juventude negra, a criminalização da LGBTfobia e medidas contra a violência policial.
Na proteção às mulheres, propõe a construção de mais Casas Abrigo, delegacias especializadas e Centros Integrados de Atendimento à Mulher, com atendimento social, psicológico, médico e jurídico. Também defende uma preparação mais qualificada dos órgãos de segurança para atender mulheres vítimas de violência e a ampliação da capacidade de atendimento e julgamento desses casos pelo Judiciário.
O programa ainda é contrário aos autos de resistência, à redução da maioridade penal e à criminalização dos movimentos sociais. Também defende a titulação de terras quilombolas e indígenas, a implementação das leis 10.639 e 11.645 e a legalização do aborto. Para ver o plano de governo completo, clique aqui.
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