BANCO MASTER

Entenda caso envolvendo áudio atribuído a Vorcaro sobre suposto patrocínio a filme de Lula

Caso veio à tona após reportagem da revista Veja; PGR, PF e defesa do banqueiro negam depoimentos

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 09/10/2026 às 20:32.Atualizado em 09/10/2026 às 20:49.
De acordo com a Veja, os valores teriam sido pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, Paulo Oka-motto (Banco Master/Divulgação)
De acordo com a Veja, os valores teriam sido pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, Paulo Oka-motto (Banco Master/Divulgação)

A pouco mais de duas semanas para a votação em 2º turno da eleição presidencial, áudios de um suposto depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro em uma negociação envolvendo a produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) movimentam o cenário político nesta sexta-feira (9). 

A discussão começou ainda durante a manhã, quando a revista Veja publicou uma reportagem repercutindo os arquivos, em que o dono do Banco Master dizia ter liberado R$ 30 milhões em espécie para o Instituto Lula, com o objetivo de financiar o filme. De acordo com a reportagem, o documentário citado por Vorcaro é “Lula”, de Oliver Stone.

"Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele. É... O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula... E ai tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula. Tudo no... (inaudível) O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi porque foi patrocínio, foi patrocínio normal", diz o áudio atribuído a Vorcaro pela revista.

De acordo com a Veja, os valores teriam sido pagos por fora ao Instituto Lula, gerenciado pelo diretor e amigo do presidente, Paulo Oka-motto. Conforme a apuração da revista, o banqueiro teria juntado detalhes dessa história num anexo que foi levado à Procuradoria Geral da República (PGR), que não teria levado o caso adiante alegando falta de provas.

PGR diz que não houve “depoimento oral” de Vorcaro 

Em nota publicada nesta tarde, a PGR diz que não houve interlocução direta do banqueiro com qualquer representante da Procuradoria. O comunicado afirma ainda que “não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.”

A PGR informou também que todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Além disso, o posicionamento afirma que “as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido.”

Polícia Federal nega depoimento e diz que vai investigar publicação da Veja

A Polícia Federal (PF) também se manifestou. Em comunicado à imprensa, a PF afirmou que o banqueiro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito.”

“As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”, diz a nota.

A PF informou ainda que recebeu um pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação da Veja. “O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”, informa o comunicado.

Defesa de Vorcaro nega depoimentos de colaboração premiada

Em nota, a defesa do dono do Banco Master repudiou a divulgação dos “supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”.  O comunicado não confirma o material repercutido pela Veja, “cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas.”

“O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade”, diz a nota. A defesa de Vorcaro afirma ainda que Vorcaro “não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada.”  

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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