Menos de 1%

‘Entrou minúsculo e saiu menor’, diz cientista político sobre desempenho de Zema nas eleições 2026

Ex-governador deixou o cargo para disputar a Presidência, mas termina primeiro turno com 0,27% dos votos, cerca de 325 mil

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 04/10/2026 às 21:44.Atualizado em 04/10/2026 às 21:47.
 (Fernando Michel/Hoje em Dia/Arquivo)
(Fernando Michel/Hoje em Dia/Arquivo)

Após deixar o Governo de Minas para disputar a Presidência da República, Romeu Zema (Novo) termina as eleições de 2026 com apenas 0,27% dos votos válidos, ou 325 mil eleitores. O desempenho mostra a dificuldade do ex-governador de transformar a força construída em Minas em uma candidatura competitiva nacionalmente, segundo o cientista político Camilo Aggio, professor da UFMG e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). 

“Entrou minúsculo e saiu menor”, resume Aggio, ao avaliar o resultado de Zema na eleição presidencial. Para ele, o ex-governador não conseguiu demonstrar, durante a campanha, que tinha força política suficiente para se tornar uma liderança relevante no cenário nacional.

Doutora em Ciência Política pela UFMG e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciana Santana também considera que Zema sai menor da disputa, levando em conta a ambição política que o levou a deixar o governo para tentar o Planalto. Na avaliação dela, o ex-governador fez uma escolha arriscada ao tentar se apresentar como uma alternativa à polarização entre os principais candidatos.

“Ele fez uma jogada ruim, no sentido de achar que transportaria êxitos políticos da sua base eleitoral como governador para um voto de presidente, onde outras variáveis são consideradas. Então, ele sai menor, sim, e isso, claro, tem um peso no seu futuro político”, afirmou Luciana.

Apesar das críticas ao desempenho nacional, Camilo Aggio faz uma ressalva sobre o que a votação representa para Zema em Minas. Para o professor, não é possível usar o resultado da eleição presidencial como uma medida direta da força política que o ex-governador acumulou no Estado.

“Não dá pra comparar a votação para presidente com a votação que ele teve para governador. São gêneros, digamos, literários muito distintos”, afirmou. “Os critérios utilizados pelos eleitores para eleger um governador são diferentes dos critérios usados para eleger um prefeito ou muito diferentes para eleger um presidente.”

Por outro lado, a professora avalia que Zema poderia ter seguido outro caminho depois de oito anos no comando de Minas, como concluir o mandato ou disputar uma vaga no Senado. Segundo ela, uma candidatura ao Congresso poderia aproveitar melhor a força eleitoral que o político construiu no Estado.

Zema teve dificuldades para se consolidar como 3ª via, diz pesquisadora 

A dificuldade do ex-governador de Minas, de acordo com Luciana, também está relacionada ao cenário nacional. Ela afirma que candidatos como Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury enfrentaram uma eleição em que a polarização entre os principais nomes, Lula e Flávio Bolsonaro, reduziu o espaço para candidaturas que tentavam se colocar como terceira via.

Na reta final, esse cenário favoreceu o voto útil, quando eleitores deixam de escolher seu candidato preferido para apoiar um nome considerado com mais chances de chegar ao segundo turno. Para Luciana, esse movimento contribuiu para reduzir o espaço de Zema na disputa.

“Ninguém quer perder o voto, quer se sentir ali também como tomador de decisão. No sentido de estar contribuindo com quem vai ser eleito, mesmo que isso seja, a meu ver, irracional, porque eu acho que todos os candidatos são habilitados para serem eleitos”, afirma. 

Apesar das críticas ao desempenho nacional, Camilo Aggio faz uma ressalva sobre o que a votação representa para Zema em Minas. Para o professor, não é possível usar o resultado da eleição presidencial como uma medida direta da força política que o ex-governador acumulou no Estado.

“Não dá pra comparar a votação que ele teve para presidente com a votação que ele teve para governador. São gêneros, digamos, literários muito distintos. Os critérios utilizados pelos eleitores para eleger um governador são diferentes dos critérios usados para eleger um prefeito ou muito diferentes para eleger um presidente”, destaca. 

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