‘Falei ao Trump que não queremos guerra na América Latina’, diz Lula durante agenda em BH
Presidente afirmou que não quer "brigar com os Estados Unidos", mas quer que a nação norte-americana "respeite" o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O brasileiro afirmou que não quer guerra na América Latina. A informação foi revelada nesta quinta-feira (11), na abertura da Caravana Federativa no Expominas, na região Oeste de Belo Horizonte.
"Eu falei ao Trump que nós não queremos guerra na América Latina, nós somos uma zona de paz”, disse Lula.
Segundo o brasileiro, Trump respondeu dizendo que “mas eu tenho mais armas, navios e mais bombas”. Lula disse que acredita “mais no poder da palavra do que no poder da arma”.
“Vamos tentar utilizar a palavra como instrumento de convencimento, de persuasão para a gente fazer as coisas certas. Vamos acreditar que a palavra, diplomaticamente, é a coisa mais forte para a gente resolver os problemas", disse o presidente Lula.
A conversa ocorreu em meio a um cenário de preocupação de governos latino-americanos com a ofensiva dos Estados Unidos contra supostos traficantes de drogas em águas internacionais no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico.
Por ordem do presidente americano, Donald Trump, desde setembro, militares têm alvejado barcos na região, sob a alegação de que transportavam drogas de países como a Venezuela para os Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (10), o governo da Venezuela classificou a apreensão de um petroleiro do país, por militares dos Estados Unidos de “roubo descarado” e ato de pirataria.
O navio com cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo foi tomado pelos EUA em águas internacionais. “A política de agressão contra nosso país responde a um plano deliberado de saque de nossas riquezas energéticas”, afirmou nota do governo de Nicolas Maduro.
“Não quero brigar com os EUA, mas quero que me respeitem”, diz Lula
O presidente Lula afirmou ainda que não quer brigar com os Estados Unidos, mas pediu “respeito” da nação norte-americana com o Brasil.
“Eu aprendi que ninguém respeita quem não se respeita. Eu quero ter uma boa relação com os EUA. É o país mais poderoso do mundo. Não quero brigar com os EUA, mas quero que eles me respeitem. Quero tratá-los com respeito e que eles me respeitem”, destaca.
Lula e Trump conversaram, por telefone, no dia 2 de dezembro. O “papo” durou 40 minutos. Conforme comunicado oficial do Palácio do Planalto, Trump disse a Lula que deseja “avançar rápido” nas negociações para retirada da sobretaxa de 40% imposta pelo governo norte-americano, que ainda vigora sobre 22% dos produtos brasileiros exportados aos EUA.
No início da imposição das tarifas, em agosto, 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estavam submetidas a alíquotas adicionais. Segundo Trump, a medida ocorreu em retaliação a decisões que prejudicariam as big techs estadunidenses e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Em 20 de novembro, a Casa Branca anunciou a retirada de 238 produtos da lista do tarifaço, entre eles, café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.
*Com informações da Agência Brasil
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