Flávio Bolsonaro diz que visitará o pai nesta terça e evita falar sobre campanha: 'usada contra ele'
Após mais de 90 dias sem ver Jair Bolsonaro, candidato à Presidência afirma estar ansioso pelo reencontro

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (12) que visitará o pai, Jair Bolsonaro (PL), na manhã de terça-feira (13), após mais de três meses sem encontrá-lo. Questionado se pretende conversar com o ex-presidente sobre a campanha eleitoral, o senador evitou antecipar o assunto e justificou que qualquer declaração poderia ser utilizada contra o pai.
“Eu vou conversar com ele, depende. Tem que tomar cuidado com a resposta que eu dou à sua pergunta, porque qualquer coisa é usada contra ele. Então vou conversar na qualidade de filho com ele”, declarou.
A fala ocorreu após Flávio participar de uma missa na Catedral de Brasília, em celebração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida. A visita será possível após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar nesta segunda-feira a retomada dos encontros entre pai e filho.
Segundo Flávio, o reencontro não poderá ocorrer ainda nesta segunda-feira por causa do feriado. Ele explicou que a visita de terça será realizada na condição de advogado, com duração prevista de 30 minutos, e que será necessário apenas comunicar o horário às autoridades responsáveis.
'Estou ansioso para dar um abraço forte nele'
Ao comentar a possibilidade de rever o pai, Flávio afirmou que pretende aproveitar o encontro para avaliar pessoalmente o estado de saúde e o ânimo do ex-presidente, já que, segundo ele, as informações recebidas nos últimos meses chegaram por intermédio de outras pessoas.
“Estou ansioso para dar um abraço forte nele, primeiro de tudo, ver como é que está o rosto dele, como é que está o ânimo dele com tudo que aconteceu, que eu só estou sabendo por terceiras pessoas. Então espero olhar no olho dele, dar um abraço e espero que ele esteja feliz”, disse.
O senador também criticou a decisão que o impediu de visitar Jair Bolsonaro durante 90 dias. Na avaliação dele, a medida teve motivação política e prejudicou a relação familiar. “São mais de três meses sem poder vê-lo, por uma decisão, obviamente, sem critério nenhum, sem nenhuma humanidade, sem nenhum amparo legal”, afirmou.
Flávio acrescentou que, em sua avaliação, a suspensão buscava separar um líder político de um candidato à Presidência e, principalmente, afastar pai e filho.
Por que Flávio estava proibido de visitar Bolsonaro?
As visitas foram suspensas em 13 de julho, depois que Moraes considerou que Flávio havia descumprido uma restrição judicial imposta ao ex-presidente, que está proibido de utilizar as redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.
Segundo a decisão, o senador obteve uma carta escrita por Jair Bolsonaro durante uma visita e a divulgou nas redes sociais, desrespeitando a proibição. Por isso, o ministro determinou a suspensão do direito de visitas por 90 dias.
O prazo terminou no domingo (11). Na decisão assinada nesta segunda-feira, Moraes considerou que não surgiram novos fatos que justificassem a prorrogação da medida, entendimento também manifestado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com isso, o ministro autorizou a retomada dos encontros, mantendo os horários, as condições e as medidas de segurança anteriormente estabelecidas. A autorização, no entanto, não permite que as visitas sejam utilizadas para fins político-eleitorais ou para a divulgação de manifestos e declarações do ex-presidente, inclusive por terceiros.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão e recebeu autorização para permanecer em prisão domiciliar humanitária em março deste ano.
Flávio participa de missa em Brasília
Antes de comentar o reencontro, Flávio participou de uma celebração religiosa na Catedral de Brasília, a convite de dom Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano e cardeal da Arquidiocese de Brasília. O candidato estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, e de integrantes de sua equipe política, entre eles Daniella Marques e Bia Kicis.
Ao deixar a celebração, o senador relacionou a autorização para visitar o pai à data religiosa e afirmou que foi à catedral para agradecer e renovar a fé. “Fiquei muito feliz que no dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça”, declarou.
Flávio também agradeceu às pessoas que, segundo ele, estão rezando pelo país e por sua candidatura. “Hoje é só para agradecer a Deus, agradecer a todo mundo que está orando, que está rezando pelo nosso Brasil. E, como eu disse ali dentro algumas vezes, está na mão de Deus o futuro da nossa nação”, concluiu.
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