ELEIÇÕES 2026

Flávio ou Lula? Cientistas políticos avaliam quem levou a melhor no debate da Band

Especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia apontam excesso de ataques pessoais, poucos debates sobre propostas e dificuldade para conquistar eleitores indecisos

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 19/10/2026 às 12:03.Atualizado em 19/10/2026 às 14:26.
 (Renato Pizzutto/Band)
(Renato Pizzutto/Band)

O primeiro debate presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesse domingo (18), na Band, terminou sem um vencedor claro, segundo três cientistas políticos ouvidos pelo Hoje em Dia. Apesar de momentos favoráveis aos dois candidatos, os especialistas avaliam que o excesso de ataques pessoais e a falta de discussões aprofundadas sobre propostas limitaram o impacto do confronto sobre os eleitores indecisos, a menos de uma semana da votação, marcada para 25 de outubro.

Para a cientista política Luciana Santana, o encontro foi marcado por uma intensa troca de acusações e não apresentou elementos concretos capazes de mobilizar quem ainda não escolheu um candidato. Na avaliação dela, o debate pode ter ampliado a desconfiança do eleitorado, em vez de esclarecer as diferenças entre os projetos políticos.

“Foi um debate muito ruim, que deixou as pessoas talvez em uma situação mais de aumento de desconfiança do que de segurança”, afirmou.

Luciana reconhece que Flávio teve momentos de desempenho superior ao abordar temas sensíveis, embora considere que o candidato tenha recorrido a argumentos repetitivos e, em alguns casos, falaciosos. Por outro lado, destacou como ponto positivo a postura de Lula ao se colocar à disposição para abrir seus sigilos. A especialista também criticou os gestos e as ironias de Flávio enquanto o adversário falava, comportamento que, segundo ela, pode provocar desgaste na imagem do senador.

Desempenhos diferentes em cada etapa

O cientista político Walney Junior também considera difícil apontar um vencedor, mas identifica vantagens distintas para cada candidato ao longo do confronto.

“Flávio teve um desempenho um pouco melhor nos confrontos diretos, visto que, muitas vezes, o presidente Lula ficou preso a poucas pautas, enquanto o candidato do PL se esquivava para áreas de maior conforto. Já nos blocos temáticos, Lula teve um desempenho melhor, apresentando dados e propostas de continuidade”, analisou.

Segundo Walney, os ataques pessoais podem produzir efeitos negativos para quem os utiliza. Como o debate teve poucas propostas efetivas, o especialista acredita que muitos eleitores continuarão com dificuldades para escolher entre os dois presidenciáveis.

Debate pode mudar votos?

Para o cientista político Camilo Aggio, a percepção de vitória depende, principalmente, das preferências políticas de quem acompanhou o programa. Ele avalia que apoiadores de Lula e Flávio provavelmente enxergaram seus respectivos candidatos como vencedores, enquanto os indecisos tiveram poucas oportunidades de esclarecer dúvidas.

Aggio também questionou o formato do primeiro bloco, marcado pelo confronto direto. Na avaliação dele, Flávio adotou uma estratégia de desviar de perguntas e responder com ataques ao adversário, enquanto Lula ficou concentrado em se defender.

O especialista considera que o presidente conseguiu colocar Flávio em contradição em determinados momentos, mas avalia que o confronto não avançou na discussão de projetos para o país. “Não tivemos grandes discussões de propostas”, resumiu.

Apesar das críticas, os especialistas não descartam completamente a influência dos debates na decisão do eleitor. Walney ressalta, porém, que será necessário acompanhar as próximas pesquisas eleitorais para verificar se o confronto provocou mudanças nas intenções de voto.

O próximo debate entre os presidenciáveis está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno.

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