Gabriel Azevedo critica gestão fiscal de Minas e defende responsabilidade no pagamento da dívida
Candidato do MDB propõe revisão de subsídios fiscais e alerta para o impacto do endividamento nas áreas sociais do estado

Com duras críticas à gestão das contas públicas do Estado, o candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, defendeu o equilíbrio fiscal e a responsabilidade no pagamento dos débitos estaduais para garantir o financiamento de serviços essenciais como saúde, educação e segurança pública.
Segundo o emedebista, o estado precisa reorganizar seu orçamento sem comprometer o atendimento à população. “Minas não pode gastar mais do que arrecada. Infelizmente, o governo atual passou oito anos criticando o governo anterior, mas não pagou a dívida. Continuou gastando mais do que arrecada e vai entregar quase R$ 7 bilhões em déficit no ano que vem. Não podemos deixar de pagar nossos compromissos e temos que manter a máquina funcionando”, afirmou Azevedo em entrevista para a Rádio Itatiaia.
O candidato também detalhou as prioridades das suas propostas para as áreas sociais frente aos gargalos orçamentários. “Prioridade é educação. A escola não pode ser depósito de adolescente, tem que ter aprendizagem. O hospital não pode ter fila invisível para quem precisa fazer uma cirurgia e depois a família receber a mensagem que parente já morreu. A polícia não pode ter carro faltando combustível”, ressaltou.
Gravidade da dívida e negociação com a União
Ao avaliar o volume total de débitos estaduais com a União, Gabriel Azevedo comparou a situação do estado ao orçamento de uma família para explicar o impacto financeiro nas contas públicas de Minas Gerais.
“Quero explicar a gravidade desse momento para Minas Gerais. Imagina que você tem um orçamento previsto para sua casa no ano que vem, mas você deve muito mais do que você vai ganhar o ano inteiro. Não dá para você parar de comprar comida, cuidar dos seus filhos, pagar os boletos. Então, você precisa se organizar para deixa a casa funcionando enquanto paga suas dívidas. Minas deve R$ 179,3 bilhões. É muito dinheiro”, destacou.
O candidato ressaltou a importância do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) e defendeu a manutenção da alternativa de parcelamento sem juros aceita pelo estado. “Isso foi reconhecido no final do ano passado e surgiu um programa com oito modalidades para escolher como pagar essa dívida. Minas Gerais escolheu um processo de parcelar sem juros e eu quero manter esse processo. Então, nós vamos levar muito tempo pagando. Mas existem condicionantes, temos que pagar 20% da dívida de cara, isso dá quase R$ 35 bilhões. Reunimos uma lista de R$ 88 bilhões e falta o governo federal dizer se isso vale mesmo esse valor”, explicou.
Revisão de incentivos e isenções fiscais
Outro ponto de forte crítica do postulante do MDB foi o aumento expressivo na concessão de subsídios e benefícios fiscais nos últimos anos. Ele defendeu uma auditoria ampla em todas as renúncias de receita vigentes no estado.
“Nós precisamos equalizar os desperdícios. Não dá para sair de R$ 6 bilhões de subsídios em 2019 e chegar em 2017 com R$ 26 bilhões. O desafio principal é honrar as dívidas do povo mineiro. Não dá para confiar o governo de Minas a quem não gosta de pagar dívida”, criticou.
Gabriel Azevedo mencionou ainda a existência de uma lista com milhares de companhias contempladas com incentivos fiscais. “Revisão completa dos subsídios e benefícios fiscais. Só com uma medida judicial nós descobrimos uma lista de quase 4 mil empresas que recebem mais de R$ 25 bilhões de subsídios. Entre as empresas estava, inclusive, a empresa do ex-governador Romeu Zema. Esses subsídios são justos, eles trazem retorno para Minas Gerais, ou podemos fazer com que estes paguem impostos como todo mundo paga. Porque uma lista seleta não está pagando?”, questionou.
Alerta contra posturas populistas
Por fim, o candidato alertou sobre o risco de desrespeitar o plano de pagamento de débitos e associou posturas de recusa ao pagamento das dívidas com crises de desabastecimento de serviços no passado.
“Se eu não respeitar o Propag, o juros da dívida volta, o caixa se estrangula e vamos ter o que tivemos no passado, no governo do PT. Quer-se muito cuidar das pessoas mas não se cuida das contas. E aí, no final do dia, você tem salário parcelado dos professores, falta de recurso dos municípios e gente sofrendo na ponta”, ponderou.
Ele encerrou alertando para o impacto de longo prazo do endividamento descontrolado. “Tem muita gente que é populista nesse momento, diz que não vai prejudicar o povo mineiro em relação à dívida. Mas, quem ignora a dívida prejudica o povo mineiro hoje e amanhã. São as próximas gerações, como a nossa, que está herdando uma dívida gigantesca”, concluiu.