Irmão de Cleitinho ameaça ‘largar política’ para pressionar Republicanos por candidatura do senador
Gleidson Azevedo é ex-prefeito de Divinópolis e candidato a deputado federal pelo mesmo partido

O irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo, publicou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (30) ameaçando “largar a política” após o impasse entre o senador e o partido de ambos, o Republicanos, sobre candidatura ao Governo de Minas. Ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson é candidato a deputado federal pela legenda.
“Eles não querem deixar ele (Cleitinho) ser candidato a governador”, diz Gleidson na postagem via stories. “Por que que um cara igual meu irmão, simples, do povo, que tá liderando as pesquisas, que não vai usar fundo eleitoral, não pode ser candidato a governador?”, questiona.
No vídeo, ele ainda faz um apelo para que a população mineira compartilhe o vídeo para “mobilizar toda a população que não gosta de injustiça e quer ver o Cleitinho como candidato” e sensibilizar os presidentes nacional e estadual do Republicanos, Marcos Pereira e Euclydes Pettersen.
Relembre o impasse
O imbróglio entre Cleitinho e o Republicanos veio a público na manhã desta quarta-feira (30), quando o partido divulgou uma nota sinalizando que não lançaria o senador como candidato ao Governo de Minas. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, chegou a afirmar que o mineiro “perdeu o timing”.
Contrariando a decisão, o parlamentar garantiu na última noite que será candidato ao Palácio Tiradentes. Segundo ele, a chapa terá como vice o ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão. De acordo com a assessoria de Cleitinho, ele se reúne nesta noite com os presidentes estadual e nacional do partido para tentar reverter a situação.
Caso a decisão do Republicanos se mantenha, Cleitinho até pode trocar de partido sem perder a cadeira no Senado, mas não pode concorrer ao Governo de Minas neste ano por outra legenda. Conforme as regras da Justiça Eleitoral, mesmo com o cargo majoritário (presidente, governador, prefeito e senador), o parlamentar precisa respeitar o prazo da janela partidária, encerrado em 4 de abril.
Postergação de decisão de Cleitinho levou à desistência do partido
O Hoje em Dia ouviu especialistas sobre a situação do senador. Conforme Malco Camargos, cientista político e diretor do Instituto Ver, a narrativa de que o parlamentar foi traído pelo partido é muito difícil de ser sustentada.
“A escolha dele de ter ficado com a vaga até o quanto quis definiu o cenário. Ele resolveu se posicionar ontem, mas teve a negativa hoje”, diz Malco. “Acredito que o Cleitinho, de fato, perdeu o timing da disputa e não conseguiu culpar o Republicanos, que, dependendo de uma estratégia nacional e estadual, não pode ficar a reboque de um único nome. Então, a responsabilidade pela não disputa de Cleitinho é do próprio senador", afirma Malco.
O parlamentar já havia admitido, em uma entrevista ao jornal O Globo, que o mistério envolto nas postergações da candidatura era estratégico.“Eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não, quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas. Se eu fico falando que sou, perde o encanto”, afirmou.
Em sessão no Plenário do Senado no início de julho, Cleitinho afirmou que revelaria a decisão sobre a disputa eleitoral ao Governo apenas no dia 5 de agosto (limite para a oficialização), para “deixar o povo mais doido ainda” no Estado. “Se eu estiver liderando pesquisa em Minas Gerais, quem vai decidir essa bagaça (em agosto) vai ser o povo”, disse.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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