Lula diz que não era presidente quando Moraes foi indicado ao STF e põe ‘culpa’ em Flávio Bolsonaro
Segundo o petista, senador Flávio deve ter votado em Alexandro para ocupar uma cadeira na Corte

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçou não ter indicado o ministro Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi realizada nesta quarta-feira (16), um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL) associar o petista ao magistrado.
O petista afirmou que a “culpa” do ministro ocupar uma das cadeiras da Corte é de Flávio. “Ele (Flávio) era senador, ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio (Nunes Marques), ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado e não eu”, afirmou Lula em entrevista ao podcast Desce a Letra.
Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente em exercício, Michel Temer (MDB), em fevereiro de 2017. Ele foi sabatinado e aprovado pelo plenário do Senado Federal antes de ser nomeado. Alexandre ocupou o posto deixado pelo ministro Teori Zavascki, que faleceu em um acidente aéreo em janeiro de 2017, em Paraty (RJ), aos 68 anos.
Sobre uma possível irregularidade de Moraes no “caso Master”, Lula reforçou que ninguém está acima da lei, “nem ele, nem o Fachin, nenhum ministro da Suprema Corte”. Porém, ressaltou que não só neste, mas como em qualquer caso, todo mundo tem direito de defesa.
“Todo o mundo que cometer erro em qualquer área tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa”, declarou.
Flávio, por sua vez, havia declarado nessa terça-feira (15) que “quem está votando no Lula está vendo que está votando no Alexandre de Moraes”. O comentário foi realizado momentos antes de uma sessão extraordinária, no STF, que julgaria um suposto contato entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Entenda
O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando o plenário da Corte foi acionado por André Mendonça, após a apuração da Polícia Federal (PF) identificar que Vorcaro entrou em contato com um número de celular atribuído a Moraes.
A investigação aponta que o ex-banqueiro trocou cerca de 50 mensagens com o número antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.
Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.
Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.
*Estagiário, sob a supervisão de Paulo Duarte
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