
Às vésperas do 2° turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o apoio de eleitores que ainda não definiram em quem pretendem votar. A pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (21) mostrou que o percentual de indecisos na pergunta espontânea dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%.
O aumento foi registrado entre 14 e 21 de outubro, em um cenário no qual os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados na pesquisa espontânea. Para a cientista política Luciana Santana, doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o resultado reflete a dificuldade do eleitor de expressar uma escolha em um cenário político “tão polarizado”.
“Pode sinalizar uma ansiedade, hesitação, dificuldade de expressar uma escolha, mas a pesquisa sozinha, de forma isolada, não explica as causas desse comportamento. Temos muita coisa envolvida nessa eleição do segundo turno, como insatisfação, cansaço e insegurança”, avalia.
Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre 17 e 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
Indecisão na pesquisa espontânea exige cautela
Apesar da alta, Luciana ressalta que o percentual de 14% não significa que todo esse grupo esteja disponível para escolher qualquer um dos candidatos. Na pesquisa estimulada, em que os nomes de Lula e Flávio são apresentados, o índice de indecisos é de 2%.
“Na espontânea, é normal que você tenha essas flutuações, principalmente sabendo que o segundo turno é uma nova eleição. Então, não podemos interpretar o dado como se ele fosse 14% do eleitorado disponível para qualquer candidatura”, afirma.
Segundo a professora, ainda há espaço para decisões de última hora, mas as campanhas precisam considerar que parte dos eleitores pode já ter uma preferência, mesmo sem indicá-la quando responde espontaneamente.
‘Promessas vagas podem ampliar o desconforto de quem está indeciso’, avalia especialista
Para Luciana, os dois candidatos têm grandes desafios na reta final do 2° turno. Segundo a cientista política, Lula precisa reconhecer as insatisfações da população e apresentar propostas concretas para um eventual novo mandato. Flávio, por sua vez, precisa demonstrar como pretende colocar em prática as mudanças que defende.
“Os dois vão precisar transmitir segurança e conectar suas mensagens à vida real, à vida cotidiana dos eleitores. Promessas vagas e sequência de acusações podem ampliar o desconforto de quem já está indeciso”, diz.
A disputa também envolve os eleitores que votaram nos candidatos eliminados no primeiro turno e aqueles que ainda não definiram sua escolha. Para Luciana, com o fim da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, conversas pessoais - ou “boca a boca”, como são popularmente conhecidas - podem influenciar decisões, desde que exista disposição para ouvir e trocar argumentos.
A professora destaca, porém, que a mudança de voto depende do contexto e da abertura de cada eleitor ao diálogo. Para Luciana, mesmo quando há uma tentativa de convencimento, não é possível garantir que a pessoa vá alterar sua escolha ou até mesmo comparecer às urnas.
Eleições 2026
Neste domingo (25), mais de 158 milhões de brasileiros voltam às urnas para escolher o próximo presidente da República.
No 1° turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 53.879.538 votos, ou 45,16%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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