Eleições 2026

Lula e Flávio entram na reta final da campanha de olho nos ausentes e indecisos

Lula tenta a reeleição, podendo chegar ao quarto mandato com presidente do Brasil; já Flávio pode repetir o pai, Jair Bolsonaro, e ocupar a cadeira pela primeira vez

Bernardo Haddad@_bezao
Publicado em 19/10/2026 às 08:32.
 (Divulgação)
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Na semana decisiva para o segundo turno da eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços para consolidar as bases e conquistar votos que podem definir a disputa. 

A busca por eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, o apoio político de última hora e a participação em mobilizações nas ruas devem ser prioridade das campanhas, segundo cientistas políticos. Além disso, o debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), pode pesar.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos (47%). Lula teve 53,8 milhões (45,1%), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de eleitores.

Para a doutoranda em Ciência Política da UFMG, Luiza Aikawa, a diferença entre os candidatos é relativamente pequena diante do total de eleitores brasileiros, o que torna a última semana de campanha ainda mais decisiva.

“Foi a menor distância que a gente teve entre dois candidatos à Presidência indo para o 2º turno, desde a redemocratização. Então, a prioridade dos candidatos nessa reta final deve ser buscar o apoio daqueles que não foram votar no 1º turno, daqueles que se abstiveram ou que votaram branco e nulo”, afirma Luiza Aikawa, que também é pesquisadora visitante da Universidade de Mannheim, na Alemanha. 

A especialista se refere ao total de 33,4 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Outros 2,3 milhões votaram em branco e 3,7 milhões anularam.

Na avaliação da pesquisadora, Flávio Bolsonaro busca preservar a vantagem obtida no primeiro turno e concentrar esforços nos locais onde teve melhor desempenho. Entre as prioridades estão municípios com forte presença do agronegócio e estados em que o senador abriu maior distância em relação a Lula.

O petista, por sua vez, precisa ampliar o diálogo com eleitores que não foram votar e com aqueles que ainda não definiram sua escolha. A tarefa é mais complexa porque, diferentemente de Flávio, Lula não conta com o apoio declarado dos candidatos derrotados como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) que poderiam transferir parte de seus votos.

Debate da Globo pode pesar

Marcado para 23 de outubro, dois dias antes da votação, o debate da TV Globo é apontado pela pesquisadora como um dos momentos com potencial para influenciar a reta final da disputa. Aikawa destaca a possibilidade de os candidatos serem questionados sobre assuntos que não escolheriam abordar nas próprias redes sociais, sendo colocados diante de temas que exigem respostas para além dos discursos preparados para a propaganda.

“Eles serão colocados numa posição em que existem regras muito claras de participação, como é um debate de televisão, e serão questionados por jornalistas e por pessoas que não eles mesmos”, afirma. Na avaliação dela, a exposição em um espaço de grande audiência pode ajudar a alcançar eleitores que ainda não decidiram o voto ou que não acompanham de perto a campanha. 

Minas é termômetro

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas também deve permanecer no radar das campanhas na última semana. O estado tem cerca de 16,5 milhões de eleitores aptos a votar e sempre recebe atenção por conta dos municípios de diferentes portes e perfis políticos. 

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve quase 600 mil votos a mais que Lula em Minas. Além disso, no 1º turno, 3,7 milhões de eleitores mineiros se abstiveram.

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