Lula e Flávio escolhem BH para últimos atos de campanha; entenda o peso de Minas no 2º turno
Presidente estará na Praça da Estação nesta quarta-feira (21), enquanto adversário participará de motociata no sábado (24); cientista político explica por que conquistar o eleitor mineiro pode ser decisivo

Belo Horizonte receberá os dois candidatos à Presidência da República na reta final do segundo turno das eleições, marcadas para domingo (25). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará de um ato político na Praça da Estação, nesta quarta-feira (21), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) estará na capital no sábado (24), para uma motociata entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade. A escolha da capital mineira, segundo o cientista político Walney Junior, reflete a importância de Minas Gerais em uma disputa apertada, na qual a conquista de votos pode fazer a diferença no resultado.
A presença dos candidatos em Minas Gerais reforça a importância estratégica do estado em uma disputa acirrada, na qual uma pequena diferença de votos pode influenciar o resultado nacional. A avaliação é do cientista político Walney Junior, que destaca o peso do eleitorado mineiro e as diferenças sociais, econômicas e regionais que caracterizam o estado.
Com mais de 16 milhões de eleitores, Minas Gerais tem o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Para Walney, porém, a relevância mineira vai além do tamanho do eleitorado: o comportamento dos votantes no estado frequentemente acompanha a tendência nacional.
“Minas Gerais é um dos estados mais importantes de qualquer eleição presidencial no Brasil”, afirma o especialista. Segundo ele, o estado funciona como um termômetro da disputa. “Quem vence em Minas Gerais, normalmente vence o pleito.”
Na avaliação do cientista político, os dois candidatos tentam aproveitar as particularidades do eleitorado mineiro para conquistar uma vantagem, ainda que pequena, sobre o adversário.
“Lula e Flávio buscam explorar essas diferenças socioeconômicas e regionais e tentam também galgar uma vantagem mínima no território mineiro, o que, em uma eleição apertada como esta, faz toda a diferença”, analisa.
Lula faz ato na Praça da Estação; Flávio participa de motociata
Lula será o primeiro dos dois candidatos a cumprir agenda em Belo Horizonte. O presidente participa de um ato político na Praça da Estação, no Centro, nesta quarta-feira (21), com concentração prevista para as 15h.
A agenda foi anunciada pelo deputado federal Rogério Correia (PT) nas redes sociais, na segunda-feira (19), e confirmada pela equipe do presidente. O parlamentar já havia antecipado a visita durante uma manifestação que reuniu apoiadores de Lula na região central da capital, no domingo (18).
Flávio Bolsonaro, por sua vez, estará em Belo Horizonte no sábado (24), véspera da votação. A programação prevê uma motociata com saída da Praça do Papa, na região Centro-Sul, às 10h, em direção à Praça da Liberdade.
O ato foi divulgado nas redes sociais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), e a presença de Flávio foi confirmada pelo deputado federal Bruno Engler (PL).
Antes da chegada do candidato, lideranças mineiras que apoiam Flávio se reúnem nesta terça-feira (20), no Centerminas Expo, no bairro União, na região Nordeste de Belo Horizonte.
O encontro foi convocado pelo senador eleito Domingos Sávio (PL). Em vídeo publicado nas redes sociais, Bruno Engler convocou lideranças políticas para participar da mobilização.
“Peço para você que está vendo esse vídeo aqui, lideranças, prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, ex-deputados, vereadores... Estejam presentes. É muito importante esse engajamento de vocês nessa reta final”, afirmou Engler.
Atos públicos conquistam votos ou mobilizam apoiadores?
Apesar da importância das visitas dos candidatos à capital mineira, Walney Junior pondera que grandes manifestações, como carreatas, motociatas e passeatas, têm efeitos diferentes das ações de campanha que envolvem contato direto com os eleitores.
Segundo o cientista político, visitas a residências e estabelecimentos comerciais podem ser mais eficientes para conquistar os indecisos, inclusive por influenciarem outras pessoas do mesmo núcleo familiar.
“Se visitas porta a porta forem feitas pelos candidatos, isso tem uma grande capacidade de atrair votos dos indecisos”, explica.
Já os grandes atos públicos funcionam principalmente como demonstrações de força política e instrumentos de mobilização das bases eleitorais.
“Os atos em si, como carreatas, motociatas e passeatas, servem mais como uma demonstração de força e estímulo para as lideranças continuarem lutando e correndo atrás de votos”, avalia.
Para o especialista, a escolha de Belo Horizonte também é estratégica por se tratar da cidade com o maior eleitorado de Minas Gerais. A concentração de eleitores na capital torna a região um ponto importante para as campanhas que buscam ampliar a mobilização no estado.
“A escolha de Belo Horizonte é estratégica, por se tratar do maior colégio eleitoral e concentrar a maior parte da população. Estes atos podem ter, sim, importância no resultado, tendo em vista a curta distância entre os candidatos mostrada nas últimas pesquisas”, conclui.
Como foi a votação em Minas no primeiro turno
No primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 5.776.681 votos em Minas Gerais, o equivalente a 48,24% dos votos válidos. Lula (PT), candidato à reeleição, obteve 5.187.293 votos, ou 43,32%.
A diferença foi de 589.388 votos, equivalente a 4,92 pontos percentuais. O resultado ajuda a dimensionar a importância do eleitorado mineiro para os dois candidatos na reta final da disputa, que será decidida no próximo domingo (25).
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