Abstenções

Lula e Flávio miram mais de 3 milhões de eleitores mineiros que não foram votar no 1º turno

Em 2022, abstenção foi menor no 2º turno no duelo entre o atual presidente e Jair Bolsonaro

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 13/10/2026 às 16:36.Atualizado em 13/10/2026 às 16:38.

Nada menos que 3.735.098 eleitores mineiros não foram às urnas no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro. A taxa de abstenção, de 22,8%, foi a terceira maior do país, acima da média nacional, de 21%. Com a disputa pelo governo mineiro encerrada, mobilizar esse contingente para votar no 2º turno, em 25 de outubro, é um dos principais desafios das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Em 2022 - quando Lula e Jair Bolsonaro estavam na disputa -, Minas registrou movimento contrário à tendência histórica: a abstenção caiu de 22,28% no primeiro turno para 20,99% no segundo. Cerca de 210 mil eleitores a mais compareceram às urnas na etapa final. A repetição desse cenário, porém, não é garantida, conforme destacam cientistas políticos. 

“Pode repetir, mas é muito pouco provável que isso aconteça, ainda mais tendo em vista que a disputa pelo Governo do Estado já se encerrou”, avalia Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

Para o cientista político, a ausência de uma disputa estadual no segundo turno pode reduzir o envolvimento de candidatos e lideranças locais na mobilização do eleitorado. O cenário representa um obstáculo para as duas campanhas, mas pode pesar mais para Lula, que terminou o primeiro turno atrás de Flávio em Minas.

O senador recebeu 5,777.548 votos no Estado, contra 5.188.936 do presidente, uma diferença de 588.612 votos. Além dos 3,7 milhões de ausentes, Minas contabilizou 661.039 votos brancos e nulos. Somados, os três grupos representam mais de 4,3 milhões de eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos.

O que afasta parte do eleitorado?

Doutora em Ciência Política pela UFMG e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciana Santana reforça que o cenário é incerto. “Minha avaliação é que a queda da abstenção, como ocorreu no 2° turno em 2022, permanece uma possibilidade, mas ainda não uma tendência demonstrada. Não existe uma vantagem automática".

Segundo a professora, dificuldades de deslocamento, trabalho e saúde podem ter afastado parte do eleitorado, enquanto outros eleitores podem ter deixado de votar por desinteresse ou insatisfação com os candidatos.

Candidatos em Minas 

Enquanto isso, os candidatos devem voltar a Minas. Lula tem carreatas previstas para sexta-feira (16), em Juiz de Fora e Ipatinga. O petista deve ir para Belo Horizonte na última semana de outubro. 

O Hoje em Dia tentou contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro para ter detalhes sobre as agendas do candidato em Minas, mas ainda não houve retorno. A tendência é que ele participe do “Bloco do 22”, em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), e previsto para quinta-feira (15). 

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