voto decisivo

Maioria nas urnas em Minas, mulheres analisam política de forma mais ampla, diz cientista político

Dados do TSE apontam mais de 8 milhões de eleitoras no Estado

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/08/2026 às 17:55.Atualizado em 05/08/2026 às 17:58.
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 52% do eleitorado do estado é feminino (PAULO PINTO/ AGENCIA BRASIL)
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 52% do eleitorado do estado é feminino (PAULO PINTO/ AGENCIA BRASIL)

O público feminino representa a maioria das pessoas aptas a votar em Minas, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mulheres são 52% do eleitorado do Estado - 8 milhões de títulos. Em Belo Horizonte, o percentual é ainda maior: 55%, mais de 1 milhão. Os números reforçam, mais uma vez, que o voto feminino pode ter peso decisivo na escolha dos novos representantes políticos para o Estado em 2026.

Pesquisas qualitativas mostram como é o perfil da eleitora no território mineiro e os aspectos levados em consideração pelo público feminino na escolha dos representantes, conforme destaca o cientista político e diretor do Instituto Ver, Malco Camargos.

Olhar feminino segundo pesquisas

De acordo com Malco, pesquisas feitas pelo Instituto Ver mostram que as mulheres têm um olhar mais amplo na hora de decidir o voto. O cientista político cita pesquisa recente realizada em BH.

Na ocasião, o estudo ouviu a opinião de homens e mulheres sobre a qualidade do material escolar entregue pela prefeitura. “As mulheres falaram: ‘chegou fora de hora e com tamanho diferente".

"Então, as mulheres são capazes de observar o público por dentro. Porque é ela que acompanha o menino na escola. Quando alguém está doente, é a mulher que o acompanha na consulta hospitalar. Quando alguém está preso, um filho, um marido, é a mulher que vai visitar esse detento na prisão”, acrescenta.

Para Malco, a perspectiva feminina da política é mais ampla porque se baseia não só pelas próprias experiências na cidade, mas também pelo cuidado com os outros. “Já a percepção que os homens têm é a partir do que eles acham que é a política pública. Com isso, eles se concentram em três eixos de políticas públicas que eles vivem no dia a dia: mobilidade, infraestrutura e segurança.”

Segurança pública sob a ótica feminina

Entretanto, segundo o cientista político, em alguns caso, há limitações até mesmo quando o tema é um dos “favoritos” dos homens, como a segurança pública.

“Quando o homem pensa em violência doméstica, ele se isenta e fala assim: ‘eu não agrido minha mulher, não tem risco de eu bater nela ou de matá-la. Mas a violência contra a mulher está em várias outras dimensões, e elas apontam isso nas pesquisas. Elas falam da segurança do ponto de ônibus e de serem assediadas sexualmente dentro do transporte coletivo”, cita o especialista.

“Então, elas vão trazendo violências que o mundo masculino simplesmente não percebe. Isso torna elas observadoras melhores em relação ao que está sendo feito pelos governantes na proteção e no avanço de políticas públicas que possam, de fato, atender as necessidades delas”.

Partidos adotam estratégias para atrair eleitorado

Mesmo sendo maioria do eleitorado, as mulheres ainda tem baixa representação na política. Neste ano, sete das oito candidaturas ao Governo de Minas tem homens como cabeças de chapa. A única candidata à corrida pelo Palácio Tiradentes é Indira Xavier (UP). 

Nesta quarta, o candidato do MDB, Gabriel Azevedo, definiu a vereadora Maria Helena de Quadros Lopes, de Montes Claros, como candidata a vice-governadora.

Na última quarta-feira (29), três dias antes da reunião partidária, a pesquisa Genial/Quaest mostrou que, em um cenário sem Cleitinho (Republicanos), a maior parte das intenções de votos de Gabriel é formada por eleitoras. No levantamento, ele é o único candidato citado mais vezes por mulheres do que por homens.

Para Malco, ainda há chances de mais partidos escolherem mulheres para o cargo de vice. Entretanto, a estratégia pode ser utilizada com dois objetivos diferentes. 

“O primeiro é a complementaridade. Então, ter ali uma igualdade de gênero na chapa. Mas a outra coisa que a política faz de maneira instrumental é colocar colocar as mulheres na segunda função que o vice representa”, diz.

“O vice pode representar mais dinheiro. E as mulheres têm um acesso especial ao fundo eleitoral. Então é uma estratégia para buscar tanto mais eleitorado quanto mais recurso".

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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