Mateus Simões e Flávio Roscoe trocam acusações sobre indicações no governo Zema
Candidatos ao governo de Minas divergiram sobre a participação do ex-presidente da Fiemg na administração estadual durante debate da TV Alterosa, em Belo Horizonte

Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe (PL) trocaram acusações sobre a participação do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) no governo Romeu Zema (Novo) durante o debate da TV Alterosa nesta sexta-feira (18), em Belo Horizonte. O embate começou quando Roscoe questionou a existência de indicações políticas na gestão estadual. Simões respondeu afirmando que o adversário também havia indicado nomes para cargos públicos. Roscoe negou a afirmação e retomou o assunto nas considerações finais para, segundo ele, “recuperar a verdade”.
O confronto ocorreu durante uma pergunta de Roscoe a Simões. O candidato do PL afirmou que, no início do primeiro mandato de Zema, as escolhas de secretários e integrantes do alto escalão seguiam critérios “eminentemente técnicos”. Segundo Roscoe, porém, teria ocorrido uma mudança no segundo mandato, com o aumento de indicações políticas.
Roscoe citou como exemplos mudanças na presidência da Cemig e em secretarias estaduais. Em seguida, perguntou a Simões por que, na avaliação dele, teria ocorrido essa alteração e como seriam feitas as escolhas em um eventual novo mandato do atual governador.
Simões reagiu questionando a relação de Roscoe com a administração estadual. “Eu achei até curiosa a sua pergunta porque, por exemplo, a Junta Comercial é presidida por uma pessoa que você indicou. Indicação sempre aconteceu no governo”, afirmou.
O governador disse ainda que pessoas ligadas a Roscoe permaneceram na administração mesmo depois de o ex-presidente da Fiemg lançar sua candidatura ao Palácio Tiradentes. “Quando você se lançou como candidato contra mim, apesar de ter sido parte do governo todo esse tempo, eu nem mandei embora as pessoas que eram ligadas a você, que continuam lá dentro”, disse Simões.
Simões cita Fiemg e secretária da Fazenda
Durante a resposta, Simões também afirmou que a Fiemg teria fornecido quadros para a administração estadual e citou a atual secretária de Estado de Fazenda, Luciana Mundim de Mattos Paixão, como exemplo.
Na fala registrada no debate, Simões afirmou: “A Fiemg é uma das grandes fornecedoras de talento para o governo. Me pareceu estranha essa acusação de interferência política, porque, como você indicou muitos cargos, você sabe que essas indicações são um processo natural”.
O governador também negou que a administração distribua cargos em troca de apoio político e voltou a mencionar o rompimento entre Roscoe e o grupo governista.
“Tanto é que, quando você resolveu romper com o governo, que apoiou durante oito anos para ser candidato, não houve da nossa parte nenhuma retaliação contra os servidores, porque a gente entende que quem está lá está por competência”, afirmou.
‘Eu nunca integrei o governo Zema’, rebate Roscoe
Roscoe retomou o assunto durante as considerações finais do debate e contestou diretamente as declarações de Simões.
“Antes de tudo, eu gostaria de recuperar a verdade. Eu nunca integrei o governo Zema, nem nenhum outro governo. Meu papel sempre foi de líder de entidade de classe, onde eu apresentei ideias e opiniões não somente ao governo estadual, mas ao governo municipal e ao governo federal”, declarou.
Roscoe também negou ter feito “dezenas” de indicações para a administração estadual. Segundo o candidato, houve apenas uma indicação relacionada à Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg).
O candidato do PL também contestou a versão apresentada por Simões sobre a indicação para a Secretaria de Fazenda. Segundo Roscoe, a pessoa mencionada pelo governador trabalhava na Fiemg e foi procurada diretamente pelo Executivo.
Na sequência das considerações finais, Roscoe encerrou o embate com Simões e passou a apresentar sua candidatura e a pedir votos para Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.
Debate teve três candidatos
O debate desta sexta-feira contou com Mateus Simões, Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe. Os três estavam entre os seis candidatos convidados pela TV Alterosa para o encontro.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) informou previamente que não participaria. Alexandre Kalil (PDT) cancelou os compromissos de campanha por causa de uma infecção intestinal. Já Patrus Ananias (PT) informou que não compareceria em razão da agenda cumprida no dia anterior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Montes Claros, no Norte de Minas.
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