CARTA ALTERADA

Meia hora após se declarar 'verdadeiro presidente do Brasil', Flávio recua e diz ser 'líder do país'

Sem apresentar provas, senador diz que eleições foram fraudadas e agradece a Milei e Trump

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 28/10/2026 às 18:48.Atualizado em 28/10/2026 às 19:55.
 (Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)
(Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta se autoproclamando o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e, sem apresentar provas, dizendo que as eleições no país foram fraudadas. Entretanto, meia hora depois, o termo foi alterado para "líder" do país. O documento foi divulgado após a ida do parlamentar para os Estados Unidos.

“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegitima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, diz o texto, publicado em uma conta no Instagram destinada a apoiar o senador.

Na carta, Flávio também agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, “pela coragem, senso de justiça e legalidade, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento.

“Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”, afirma.

Conforme o G1, ao ser questionado por jornalistas nesta quarta-feira sobre a carta publicada por Flávio, o presidente norte-americano disse que não iria comentar sobre a situação do senador. “Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver", afirmou Trump.

Carta alega “perseguição política”

O filho de Jair Bolsonaro diz ainda que não tinha a intenção de deixar o país, mas que está sendo vítima de “perseguição política”. “Eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, afirma Flávio. O senador também garante que continuará “lutando” fora do Brasil e se compara ao político e advogado Rui Barbosa, que foi obrigado a buscar exílio em 1893.

Ordem judicial foi ignorada

O senador fugiu após deixar de entregar à Polícia Federal o passaporte italiano que possui desde 2023. O prazo para apresentação do documento era até terça-feira (27) e foi estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também ordenou o cancelamento de todos os passaportes emitidos em nome do senador, incluindo os diplomáticos.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e um advogado. O suposto esquema envolveria empresas e plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets.

Flávio também é investigado em um inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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