Ultimato do TSE

Meta tem 24 horas para comprovar cumprimento de decisão sobre anúncios eleitorais de Flávio e Lula

Ministro Marco Aurélio Bellizze afirma que empresa não pode alterar prazos fixados pela Justiça; campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro alegam prejuízos na distribuição de conteúdos políticos

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 19/10/2026 às 10:41.
 (Reprodução/Redes Sociais)
(Reprodução/Redes Sociais)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, comprove o cumprimento de uma decisão que determina medidas para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno das eleições.

A determinação é do ministro Marco Aurélio Bellizze. Segundo ele, os prazos estabelecidos pela Corte já se esgotaram, e a empresa não pode substituí-los unilateralmente por outros mais longos, ampliando o período de 72 horas para cinco dias.

“A substituição unilateral dos prazos fixados pelo juízo equivale a descumprimento, sobretudo em processo cuja utilidade depende do tempo”, escreveu o ministro.

Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência da República no segundo turno, acionaram a Justiça Eleitoral sob a alegação de que conteúdos de suas campanhas vêm sendo prejudicados nas plataformas da empresa.

TSE cobra explicações sobre distribuição de conteúdos

Na semana passada, o TSE atendeu a um pedido da campanha à reeleição de Lula, que acusou a Meta de restringir seletivamente a distribuição de publicações ligadas ao campo político do presidente e de descumprir obrigações previstas na legislação eleitoral.

A coligação também questionou limitações no impulsionamento de anúncios de campanha e possíveis diferenças no tratamento dado às candidaturas.

Entre as medidas determinadas pelo tribunal estão:

  • esclarecimentos sobre o funcionamento dos sistemas de recomendação das plataformas;
  • análise de anúncios das duas candidaturas que disputam o segundo turno;
  • investigação de possíveis redes de perfis inautênticos;
  • apresentação de informações sobre conteúdos que deveriam ser identificados por terem sido produzidos ou alterados artificialmente.

Segundo Bellizze, a apresentação de recurso pela Meta não suspende os efeitos da decisão anterior. Dessa forma, as determinações continuam válidas e devem ser cumpridas nos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Meta deverá apresentar relatórios em português

O ministro também determinou que a empresa apresente relatórios individualizados, em português, sobre os anúncios políticos e comprove as providências adotadas em relação às restrições no impulsionamento de publicações.

De acordo com a decisão, um dos relatórios apresentados pela empresa continha termos em língua estrangeira e não diferenciava claramente as medidas executadas por determinação judicial daquelas adotadas por iniciativa própria.

Flávio Bolsonaro poderá se manifestar no processo

Bellizze autorizou o ingresso de Flávio Bolsonaro na ação como interessado. Com isso, o candidato poderá apresentar argumentos sobre a controvérsia e se manifestar a respeito da igualdade de tratamento entre as candidaturas.

A campanha do senador também sustenta perante o TSE que é prejudicada pela atuação da Meta. A discussão envolve a distribuição de conteúdos políticos e as condições de veiculação de anúncios eleitorais nas plataformas digitais durante a disputa presidencial.

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