Nunes Marques determina suspensão de canal de Janones no WhatsApp
Decisão do presidente do TSE impede novas publicações e entrada de seguidores até o fim do segundo turno; campanha de Lula critica medida

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones, no WhatsApp. A decisão atende a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que acusa o grupo de disseminar informações falsas contra sua candidatura.
O WhatsApp deverá suspender o canal em até três horas após a notificação. A medida impede novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026.
Segundo Nunes Marques, o canal ultrapassou 3 milhões de seguidores e funcionava como uma estrutura centralizada para replicar conteúdos políticos já proibidos pela Justiça Eleitoral. O ministro afirmou que a liberdade de expressão não protege a disseminação de desinformação e considerou insuficiente a remoção de mensagens isoladas. A decisão não afeta os perfis pessoais de Janones.
Decisão ocorre antes de manifestações ao TSE
No sábado, o corregedor do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, havia concedido prazo de cinco dias para que Janones e a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestassem sobre outra ação apresentada por Flávio. A equipe do senador também deveria apresentar as provas citadas no processo. A ordem de suspensão foi determinada antes do recebimento dessas manifestações.
Entre os conteúdos contestados estão mensagens que atribuem a Flávio ligações com milícias e planos de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, além de propostas de cortes em aposentadorias, benefícios assistenciais e reajustes do Bolsa Família.
WhatsApp terá de preservar registros
O TSE determinou que a plataforma informe, em até 48 horas, as providências adotadas e a existência de outros canais vinculados a Janones. O aplicativo também deverá preservar mensagens, registros e metadados do canal por um ano, para eventual uso em investigações.
A análise sobre uma possível suspensão da conta de Janones na funcionalidade de canais ficou para depois do recebimento das informações solicitadas.
Campanha de Lula critica medida
A coordenação da campanha de Lula afirmou que avalia medidas jurídicas contra a decisão.
“Causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques e a campanha está analisando as medidas jurídicas cabíveis”, declarou a equipe do presidente.
Janones, por sua vez, convocou apoiadores a compartilhar um vídeo em que critica a determinação. “A censura já começou”, afirmou o deputado, que também anunciou a criação de um novo canal no Instagram.
Ação cita rede de perfis
A representação de Flávio Bolsonaro, protocolada na quarta-feira (7), pede a suspensão temporária de perfis nas redes sociais que, segundo a campanha, integram uma estrutura de disseminação de conteúdos falsos ou descontextualizados.
O documento cita contas no Instagram e afirma que uma rede de 1.525 perfis, organizada em 16 grupos, publicou 2.856 conteúdos favoráveis à reeleição de Lula em três dias. A campanha também aponta 218 publicações consideradas falsas ou descontextualizadas e 11,6 milhões de visualizações em 62 horas.
Os dados e a classificação das publicações fazem parte das alegações apresentadas pela campanha à Justiça Eleitoral.
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