CRISE ESTENDIDA

Pedidos de investigação contra Moraes e Mendonça podem ficar para depois da eleição; entenda

Análise fica interrompida até que o ministro Flávio Dino que pediu vista devolva os autos ou por 90 dias corridos

Do HOJE EM DIA+
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Publicado em 16/09/2026 às 07:59.Atualizado em 16/09/2026 às 08:04.
 (Alejandro Zambrana/STF)
(Alejandro Zambrana/STF)

Terminou sem definição a histórica sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), dessa terça-feira (15), para analisar se a conduta de Alexandre de Moraes, na relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, deveria ser investigada. O ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento que vai definir se o caso de Moraes deve ser analisado em conjunto ou separadamente ao de André Mendonça, que conduziu o relatório do caso Master.

A sessão na Corte - marcada por bate-boca, acusações e até ofensas - terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo. Mas, com o pedido de vista, a análise do caso não tem data para ser retomada. Na regra atual do Supremo, a análise fica interrompida até que o ministro que pediu vista devolva os autos ou até o fim do prazo previsto no regimento da Corte, que é de 90 dias corridos.

A ministra Cármen Lúcia acompanhou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de votar em separado as denúncias contra Mendonça e Moraes. O mesmo entendimento foi seguido pelos ministros Luiz Fux e pelo próprio Mendonça, formando a maioria parcial.

Já os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos por Gilmar Mendes, formulador da questão de ordem, além de Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Como Dino pediu vista, sua posição a favor do julgamento em separado não foi considerada no placar.

Entenda

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional sem precedentes no STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário.

A PGR sugere que isso pode representa direcionamento por parte de Mendonça, entre outros argumentos. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparenta ter uma relação de proximidade com o ministro.

Em um trecho do que aparenta ser uma conversa, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), o ministro negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contém supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal.

Reação

Alexandre de Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado nem contém o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e "sem valor probatório".

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

*Com informações da Agência Brasil

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