Rejeição aos dois candidatos cai, mas 47% não votariam em Lula de jeito nenhum, e 52%, em Flávio
Cientista político diz que ações promovidas pelas campanhas nas duas últimas semanas se refletem nos números

Na reta final para o 2º turno das eleições, a rejeição tanto a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a Flávio Bolsonaro (PL) diminuiu. Conforme pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), o percentual de eleitores que não vota no petista de jeito algum caiu seis pontos em uma semana, passando de 53% para 47%. No caso do senador, o recuo se repetiu, mas em menor proporção: de 54% para 52%, uma queda de dois pontos percentuais.
Sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudá Ricci chama atenção para o aumento da diferença quando comparada a rejeição dos dois candidatos. Os números mostram Lula com rejeição 5 pontos percentuais menor que a de Flávio. Na semana passada, o intervalo era 1%, enquanto na última pesquisa do 1º turno, 2%.
“Quase todas as pesquisas dão empate técnico. A Quaest diz, praticamente, que acabou a diferença que o Flávio tinha logo depois do primeiro turno”, avalia o sociólogo. “Esse índice menor de rejeição ao Lula, que o tempo inteiro estava empatado com o Flávio, tecnicamente abre essa diferença”, completa.
Para Rudá, os números refletem os impactos de escolhas tomadas pelas campanhas de ambos os candidatos. “Tenho a impressão de que a campanha de Flávio cometeu o erro de achar que já estava com a fatura fechada”, diz. “Acho que eles se desorganizaram e já começaram a pensar no governo.”
Já em relação à queda mais significativa da rejeição de Lula, o cientista político cita as estratégias digitais promovidas pelo deputado federal André Janones (Rede) e as mobilizações de rua promovidas por apoiadores do presidente como possíveis fatores que impulsionaram o resultado.
“O índice de rejeição parece estar acompanhando esse ciclo de duas semanas. Começa a haver uma comparação maior e começa a se criar uma onda emocional que leva o indeciso a falar: ‘o Lula tá mais forte’. No Brasil isso conta muito, o candidato que parece mais forte atrai o indeciso no final, porque ele não quer jogar voto fora.”
O sociólogo afirma que, justamente pelos números serem uma espécie de “espelho” de ações concretas, é difícil que os dados da rejeição sejam utilizados para cravar um vencedor da disputa. “Se eleição e política fossem matemática, eu diria que a tendência seria o Lula ultrapassar o Flávio nos próximos dois dias. Mas política não é matemática, é ação humana. Então pode ser que o Flávio reaja.”
Debate na Band
Outro ponto analisado por Rudá é o impacto do primeiro confronto entre os dois candidatos em frente às câmeras, transmitido pela TV Band no último domingo (18). Segundo o cientista político, a postura “excessivamente irreverente e quase irresponsável” de Flávio criou uma comoção até mesmo entre os bolsonaristas.
“Nos grupos de bolsonaristas a que a gente teve acesso, foram muitos que apoiavam o Flávio e reclamaram dele não dar uma resposta”, conta. “Então, eu imagino que essa diminuição (da rejeição do Lula) tem a ver também com a performance do Flávio no debate da Band, que foi muito ruim e irresponsável.”
Entretanto, o sociólogo explica que a redução da rejeição de Lula por causa do comportamento de Flávio durante o embate não significa que o petista teve um bom desempenho no confronto. “Ele estava meio lento nas respostas e ficou irritado no início, mas ele não cometeu o deslize de tratar o adversário como se fosse um garoto.”
Rudá aponta também que, depois do debate, houve um aumento das pesquisas no Google em relação a Flávio. “Por amostra, entra a questão dele acabar com o Bolsa Família ou fazer a transição em 2 anos - como a equipe econômica dele falou. Isso pegou muito mal, inclusive no campo de indecisos de camadas mais populares”, explica o cientista político.
*Estagiária, sob supervisão de Paulo Duarte
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