Vice-líder do Governo Lula na Câmara, o deputado federal Lindbergh Farias (PT) criticou as mudanças adotadas pelo governo para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O parlamentar participou nesta quarta-feira (18) de uma reunião da comissão especial da Casa para debater o tema.
As alterações propostas pela União visam a reduzir custos. No entanto, um dos principais questionamentos é a possibilidade de renovação automática da CNH para condutores sem multas registradas, dispensando exames médicos e psicotécnicos. Além dos riscos no trânsito, podem ocorrer impactos econômicos.
A Associação de Clínicas de Trânsito (ACTrans) afirma que 12 empresas do ramo já fecharam as portas em Minas. O temor da perda de empregos foi citado por Lindbergh Farias.
"Tenho muita preocupação com as pessoas, com várias empresas. Estou falando aqui de muita gente. Estamos falando também de vidas, de segurança. Ao todo, segundo o cálculo que minha equipe fez aqui, podem ter 300 mil empregos em risco em todo o Brasil", afirmou o deputado do PT.
Também contrários às mudanças, cerca de 70 médicos e psicólogos de Minas viajaram a Brasília para acompanhar a sessão na Câmara. Para especialistas da área, a dispensa de avaliações clínicas representa um risco.
"Aquele condutor que não teve nenhuma multa recebe a CNH digital sem passar por nenhuma avaliação. O erro é que as pessoas, quando sofrem infrações, muitas vezes repassam para terceiros ou empresas pagam o valor dobrado sem identificar o condutor", alerta a presidente da ACTrans, Adalgisa Lopes.
Ela destaca ainda que a renovação automática ignora o surgimento de comorbidades graves. "Estamos autorizando pessoas com epilepsia, glaucoma, depressão grave ou Alzheimer a renovar a licença sem qualquer critério. Nós somos a barreira da segurança. Quando o médico detecta um problema, encaminha o condutor para tratamento".
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